Borat: Fita de Cinema Seguinte

Wanderley Caloni, 2020-11-22.

O novo filme do Borat não consegue ser mais um mockumentary como o primeiro, nem apresenta qualquer crítica aguda ao American Way of Life como o primeiro. Como poderia? É um filme encomendado por uma mega-corporação vendendo streaming internacionalmente, mas fundada em solo americano. É um sistema de troca capitalista, onde ele te entrega algumas risadas em troca de sua alma.

Como o longo título original já denuncia, a historinha gira em torno da entrega da filha de Borat como noiva-presente a algum poderoso do governo americano. O objetivo é colocar a uma vez gloriosa nação do Kazadhstan de volta ao mapa. O plot twist do final faz referência a Os Supeitos, thriller de investigação com Kevin Spacey dos anos 90. Tudo que há no meio é a descoberta da garota que nos EUA as mulheres podem dirigir (fujam para as colinas) e até votar (até aí os pobres também podem).

A garota é interpretada por Maria Bakalova, uma atriz búlgara que nos entrega uma honestidade no olhar e nas expressões que compensam sua aventura manjada. Do outro lado, é sempre bom ver o comediante Sacha Baron Cohen tentando algo diferente de vez em quando. Uma pena é que ele pareça estar no piloto automático boa parte do longa. Este é um filme sobre uma bagunça social e política ainda difícil de entender por nós, contemporâneos. "Fita de Cinema Seguinte" é apenas mais um na lista das tentativas.

O melhor momento do longa é real: se trata da captura de um discurso no início da pandemia, quando algum dos manda-chuvas do governo diz que por conta da quarentena ter sido iniciada um mês antes do recomendado pela OMS e até mesmo pelo partido dos democratas, oposição na época, as mortes foram contidas em seu mínimo. Um motivo para comemorar no passado que hoje em retrospecto serve de reflexão: teríamos mais mortes aindas caso Hillary estivesse no poder?

draft