Borboletas Negras

2020-03-28 · 2 · 233

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Essa poetisa é maluquinha. Ingrid Jonker o nome dela. Morreu aos 32 anos. Houve um pequeno hiato antes de sua morte em que ela conheceu Jack Cope, um escritor mais velho que só escreveu um livro e que se esforçava para focar em outro. Jack salvou sua vida no dia que se conheceram, e ele se apaixonou perdidamente por esta libertina que é o resultado mais que previsível de um pai autoritário.

Seu pai defende a superioridade branca em plena África do Sul e em pleno Apartheid. Ele é o censurador de livros em um período politicamente tenso da história. Nelson Mandela ainda seria um nome a ser lembrado, e é o único nome que vemos no filme.

Jonker é interpretada por Carice van Houten de maneira automática, mas ela vive esse momento compenetrada e nos convence. Ela é muito mais poetisa que Pablo Neruda de O Carteiro e o Poeta, um filme que parece de brinquedo frente à intensidade deste trabalho da diretora Paula van der Oest.

Os sentimentos da diretora holandesa a respeito do roteiro de Greg Latter flutuam no vácuo, mas sua tecnicidade controla por completo um filme que vai nos levando sem esforço algum. Não há significado, apenas emoções. Jonker é uma força da natureza que não argumenta, apenas segue seu final trágico. E ela serve de instrumento político em um filme que sobre esse assunto se torna monossilábico.

Black Butterflies (Germany, Netherlands, South Africa, 2011). Dirigido por Paula van der Oest. Escrito por Greg Latter. Com Carice van Houten, Liam Cunningham, Rutger Hauer, Graham Clarke, Nicholas Pauling, Candice D'Arcy. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·