Borboletas Negras

Wanderley Caloni, 2020-03-28.

Essa poetisa é maluquinha. Ingrid Jonker o nome dela. Morreu aos 32 anos. Houve um pequeno hiato antes de sua morte em que ela conheceu Jack Cope, um escritor mais velho que só escreveu um livro e que se esforçava para focar em outro. Jack salvou sua vida no dia que se conheceram, e ele se apaixonou perdidamente por esta libertina que é o resultado mais que previsível de um pai autoritário.

Seu pai defende a superioridade branca em plena África do Sul e em pleno Apartheid. Ele é o censurador de livros em um período politicamente tenso da história. Nelson Mandela ainda seria um nome a ser lembrado, e é o único nome que vemos no filme.

Jonker é interpretada por Carice van Houten de maneira automática, mas ela vive esse momento compenetrada e nos convence. Ela é muito mais poetisa que Pablo Neruda de O Carteiro e o Poeta, um filme que parece de brinquedo frente à intensidade deste trabalho da diretora Paula van der Oest.

Os sentimentos da diretora holandesa a respeito do roteiro de Greg Latter flutuam no vácuo, mas sua tecnicidade controla por completo um filme que vai nos levando sem esforço algum. Não há significado, apenas emoções. Jonker é uma força da natureza que não argumenta, apenas segue seu final trágico. E ela serve de instrumento político em um filme que sobre esse assunto se torna monossilábico.

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