Bravura Indômita

Com uma trilha sonora repetitiva mas sutil o suficiente para não notarmos, surge a caracterização de um tema, assim como Morricone fez em Três Homens em Conflito, só que sem o espetáculo.

Por falar em "Três Homens..." é bom lembrar que é utilizada a mesma ideia de usar a largura de tela gigantesca para extrair do cenário o máximo de paisagens que puder, e o longa encanta visualmente funcionando tanto pelo cenário como uma janela gigantesca que se abre no cinema, deslumbrante por si só, quanto pelos ótimos enquadramentos dos irmãos Coen, que conseguem transmitir realismo dessa forma.

Tudo seria em vão se não tivéssemos uma atuação marcante como a de Jeff Bridges, que encarna um verdadeiro caçador de recompensas, com direito a sotaque e o modo de andar desajeitado de alguém que já está velho demais para essas aventuras.

Os planos finais são os mais lindos, com destaque para a noite em que Jeff leva a menina mordida por uma cobra em busca de socorro, ou o cemitério onde ele foi enterrado 25 anos depois (e é notável ver como apenas uma frase dita em meio a uma tela escura, "25 anos é muito tempo", consegue transmitir para nossos sentidos a passagem do tempo de forma eficiente sem precisar apelar para formas visuais que são constantemente esboçadas no cinema), com a árvore e a sombra da agora mulher fazendo rima poética, torna o filme quase um clássico instantâneo.

Há, sobretudo nos aspectos técnicos, uma quase obsessão pelo perfeccionismo, tanto no manejo das armas quanto na própria edição de som, que enaltece o faroeste das antigas usando os mesmos sons característicos, mas que se enquadram no ambiente soando como algo factível.

Wanderley Caloni, 2011-11-02

movies discuss