Bulbul Pode Cantar

Este filme se chama Bulbul Pode Cantar porque é a única coisa de divertido que ela pode fazer com a aprovação da sociedade em que vive. Infelizmente, ela não consegue cantar direito em público, se sente envergonhada. E é aí que começa mais um drama de valores de uma sociedade oprimindo as mentes jovens deste século.

A história gira em torno de três amigos, duas garotas e um garoto, em que o garoto é gay, ou afeminado, e sofre bullying praticamente todo dia por causa disso, e não sabemos se é por isso que ele prefere a companhia das meninas. Boa parte do filme os vemos na escola e se divertindo após as aulas. Uma paixão entre Bulbul e um menino vai se desenvolvendo, mas nós não sabemos dos perigos que é se beijar nessa idade caso alguém descubra.

Ao olhar nos créditos finais fiquei impressionado pelo trabalho de Rima Das. Ele assina roteiro, direção, edição, produção e mais alguma outra coisa. Junto dele, com o mesmo sobrenome, surgem vários atores do elenco e extras, além de mais dois ou três sobrenomes idênticos. Das é o produtor de um filme feito entre família e amigos, mas em nenhum momento este soa um trabalho caseiro. Apesar de lento, ele é ritmado, e sua fotografia profissional.

Há momentos de Bulbul Pode Cantar que você provavelmente ficará pensando na vida. Ver jovens fazendo coisas de jovens nem sempre é algo empolgante. Mas aguarde. Da metade para o final coisas horríveis irão acontecer. Coisas terríveis. E tristemente reais até hoje. Há uma cena muito triste e uma certa melancolia. Mas irá passar. É importante para nós refletir se é benéfico que valores sejam mudados na sociedade indiana (um exercício fora da caixa para não-indianos).

Wanderley Caloni, escrito para ou com a ajuda de Cinemaqui, 2019-10-23 00:00:00 +0000

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