Carrossel do SBT

Tudo começa cem anos atrás. Na década de 20. A outra década de 20. Um aluno é fascinado pelas virtudes humanas de sua professora e a mantém em sua memória afetiva até o dia em que começa a escrever sobre aqueles saudosos dias na escola. Agora já estamos na década de 40.

Sendo publicadas por uma revista argentina, as histórias chamam a atenção para o aspecto social que surge entre as interações daqueles alunos e sua tenra, atenciosa e, de certa forma, ingênua professora. Há diferenças de classe, de cor, de gênero, de força. Há uma diversidade inventada que vira um joguete artístico e propagandista. Nasce a primeira fan fic da esquerda, dessa vez vinda de fato de uma criança.

A obra primeiro é adaptada para o rádio e alguns anos depois vira uma telenovela. Através de seu sucesso surgem dois filmes e exibições pela América Latina. Décadas depois é reproduzida no México e vira Carrossel, aquela versão que encantou brasileiros e coreanos por uma geração.

O remake brasileiro feito pela emissora de Sílvio Santos, se inspira mais na versão mexicana original, não as continuações que vieram, e dá uma atualizada em seus estereótipos. É uma obra encantadora pela pureza de visão de mundo. Dificilmente uma novela se desvencilha do mundo adulto para mostrar sua versão em miniatura.

A Escola Mundial onde se unem as crianças cujas vidas serão retratadas em pequenos contos de aventuras é claramente um simulacro da vida, ou, melhor dizendo, um preparativo para ela. Nunca a essência do que é passar tanto tempo na infância com outros ser humaninhos foi melhor retratado como aqui.

Fazendo jus à máxima de que criança não mente. Nem sua versão adulta e já escritora. Bom, talvez floreie um pouco. Pelo bem da fantasia.

Wanderley Caloni, 2021-07-24 22:27:23 -0300

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