Cisne Negro

2011-02-23

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Nina é uma dançarina de balé que, assim como muitas, devota toda sua vida a essa arte. Perfeccionista ao extremo e apoiada pela mãe controladora, ela está prestes a participar da escolha de quem será a nova protagonista de uma nova versão do clássico O Lago dos Cisnes, dirigida pelo seu controverso diretor Thomas Leroy (Cassel).

A primeira coisa que é notável na produção de Cisne Negro é a uniformidade nas escolhas da fotografia e direção de arte. A sinergia que ocorre entre os elementos do cenário, em sua maioria objetos e roupas das cores preta, branca e cinza, ajudam a fortalecer ainda mais todo o trabalho do projeto em busca da dualidade de sua protagonista.

Aliás, a dualidade de Nina e a insegurança sobre sua própria identidade são organicamente demonstradas pelo uso de câmeras em movimentos absurdamente competentes durante as danças e a troca constante do ponto de vista da câmera a partir de espelhos colocados organicamente na construção da cena.

E por falar em espelhos, eles são primordiais na construção da própria personagem e seu conflito interno. Usados de modo discreto e descarado, Nina e nós mesmos aprendemos a enxergar a realidade que nos é passada tanto através dos reflexos quanto através da própria realidade. Essa realidade, porém, e isso é o mais genial, também passa pelo filtro da lente da câmera que está filmando; e essa teima em tremer e parecer tão difusa, ou mais, que o próprio espelho. É o universo daquele mundo saindo de campo de visão e atingindo significados metafóricos.

Dono de um invejável controle sobre a profundidade crescente com que trata os distúrbios emocionais de Nina, cada vez mais afetada pela pressão que a cerca de todos os lados, o roteiro, além de usar um modelo que difere do usual em filmes do gênero, ainda aposta acertadamente na inteligência do espectador para juntar as pontas conforme caminhamos para o desfecho.

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