Código 46

Wanderley Caloni, 2020-12-12.

Tudo começa com uma descrição em texto: no futuro não vai poder comer sua prima. Mais ou menos. Tem a ver com as pessoas serem concebidas in vitro e ter muito copy & paste (futuro Stack Overflow Sex Edition?). Então o DNA dos pais não pode ser idêntico senão vai dar ruim. Pra não dar ruim inventam esse código 46 pra abortar a operação. O número sugere ser a soma de dois grupos de 23 cromossomos, mas eles falam em genes e DNA o tempo todo. Eu que sou leigo vou me calar.

Mas nesse futuro distópico as pessoas falam pedaços da frase em espanhol, chinês, japonês, francês. O principal é inglês para os atores não precisarem aprender muita coisa nova. É muito estranha essa tentativa de futuro meio Blade Runner com a globalização e os chinas se espalhando pelo mundo.

E por falar em China, as pessoas podem pegar os mais diversos vírus. Um deles é o da empatia. O Tim Robbins pegou esse depois que saiu da prisão em Um Sonho de Liberdade e veio parar nesse filme. Esse vírus lhe deu as habilidades de adivinhar o que ele precisa saber de uma pessoa apenas sabendo uma coisinha de nada. Isso é muito místico ou ridículo. A pessoa fala: estou cansada. E pronto, o Tim Robbins já sabe a senha da pessoa. Deve ser assim que ele fugiu da prisão.

Outra habilidade que ele ganha com o vírus é de seduzir garotas sozinhas em viagens a negócios longe da família. A relação dele com a Samantha Morton vai além de ambos fazerem pontas em milhares de filmes sem ninguém lembrar que eles estavam no elenco. Eles fazem sexo. E você já sabe toda história: código 46. Nem precisaria assistir, os dizeres do começo já soltam a letra.

Bom, há algumas canções no karaokê e uma ou outra viagem de avião e o filme acaba. A moral da história é tipo o cara se deu bem e depois volta para a família e ela parou de falsificar uma espécie de passaporte desse futuro onde sem ele ninguém entra nem sai. Acho que não tem absolutamente nada de original em nenhuma ideia desse filme.

Há sexo. Vemos a coisinha da Samantha. Ela depila. Agora dá para estampar na capinha do DVD: sensual, erótico, etc. As pessoas compram(avam), alugam(avam). Quem não quer um pouco de ação à noite nos sete cabeçotes do seu VHS?

Mel dels, o filme é de 2003. Mas já nasce velho. Podia jurar que esse futuro é de um passado bem distante. Bom, pelo menos explica a cara inchada de Tim Robbins. A liberdade não fez muito bem pra ele.

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