Creepy

Não é curioso como os mesmos temas podem ser explorados sob um novo olhar: o olhar contemporâneo? Este filme, por exemplo, é de investigação, mas ao mesmo tempo uma incursão sobre o que está acontecendo conosco e as relações sociais mais próximas. Como dos nossos próprios vizinhos.

É muito comum no Japão dar presentes de boas-vindas ou de chegada a um novo bairro para os vizinhos próximos. Essa é uma primeira oportunidade também para conhecer as pessoas que viverão mais próximas de nós por um bom tempo. Imagine a surpresa deste ex-detetive e sua esposa ao descobrir que seus vizinhos ou são anti-sociais ou muito estranhos.

O estranho no caso é um vizinho que aparenta ser bipolar, oscilando de humor em suas conversas quando se encontra com o novo casal de vizinhos. Os encontros começam separadamente e isso gera tensão porque sabemos que os discursos da vez mudam loucamente.

Nós sabemos que algo está errado e que isso irá se ligar com um crime não-resolvido que o agora professor criminal está ajudando a investigar. O roteiro une seus interesses de forma bem torta e apressada, mas depois que engrena é tensão do começo ao fim.

E não é isso que nos impressiona mais, e sim o fato de já sabermos do desenrolar da história, e mesmo assim acompanharmos como se fosse uma novidade. Isso acontece porque o pano de fundo explora um jogo de manipulação psicológica que é tão atual que sintetiza o filme inteiro.

A direção é muito competente, tanto ao nos conduzir pelos cenários fechados, girando a câmera sempre gentilmente em um ritmo que não cause convulsões para cenas sensíveis, quanto para os enquadramentos, elegantes e econômicos. Às vezes apenas um quadro nos diz tudo sobre uma cena.

Creepy é literalmente o que o título promete, sem gore e muita tensão psicológica.

Wanderley Caloni, 2022-03-17 22:51:26 -0300

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