Crush à Altura

2019-09-17 · 2 · 379

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Os jovenzinhos se beijam, mas só de selinho, porque rola traição e depois vai ficar feio um pegando a baba do outro. Esse é daqueles filmes da Netflix que está no catálogo para a garotada sem muita cabeça para pensar (trocadilho intencional) dar uma olhada eventual, curtir e compartilhar, justificando: “ah, é legalzinho, e tem um rapaz gato”.

Ele apresenta o grande drama de classe média branca estadunidense que vive na afro-cultural Nova Orleans: a atriz Ava Michelle, que é realmente alta, tem 1 metro e 86 de altura, faz a personagem Jodi, com exatamente a mesma medida. Qual o drama? Ela está no colégio e lhe contam a piada “como está o tempo aí em cima?” todo santo dia. Para piorar, sua irmã é baixa e linda. E pra piorar mais ainda, o único garoto alto que aparece por lá, que veio de um intercâmbio sueco, começa a namorar com sua inimiga desde infância. Já é motivo de suicídio.

Brincadeiras à parte, Crush à Altura leva realmente a sério o drama dessa menina, vestindo a carapuça do único público-alvo possível, o infanto-juvenil, pois é impossível que um adulto se sensibilize com tamanha pataquada. Jodi é traumatizada desde a infância, e seu pai pensou seriamente em arriscar a fertilidade de sua filha usando tratamentos arriscados de redução de crescimento.

Porém, há motivos sensatos por trás: pessoas que crescem demais os órgão possuem problemas de saúde que tornam a expectativa de vida encurtada. Seguindo a mesma ideia, mas metaforicamente, é interessante que a primeira cena do filme a mostra lendo um livro onde o protagonista adota a alienação para resolver seus problemas, mas ao mesmo tempo isso se torna o seu problema, resumindo toda a trama do filme rapidamente.

Não há muitas piadas que funcionam no filme, pois ele se leva a sério demais. Não há muitas reviravoltas críveis, pois nos primeiros 10 minutos você já sabe o final, embora provavelmente tenha se arrependido disso quando viu acontecer. A única coisa que há nesse filme é auto-piedade, frases batidas de efeito e eventos obrigatórios em filmes do gênero: o baile, os reis do baile, a festa pré-baile e alguma coisa que vai acontecer nessa festa que irá mudar tudo.

Ou seja: um filme à altura de seus clichês (trocadilho intencional).

Tall Girl (United States, 2019). Dirigido por Nzingha Stewart. Escrito por Sam Wolfson. Com Ava Michelle, Griffin Gluck, Sabrina Carpenter, Paris Berelc, Luke Eisner, Clara Wilsey. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·