Curtindo a Vida Adoidado

Wanderley Caloni, 2014-04-02

O diretor/produtor/roteirista John Hughes (Gatinhas e Gatões, Clube dos Cinco) é a cara da juventude da década de 80 e consegue expressar isso em cada um de seus filmes que aborda temas recorrentes entre os jovens. A consequência disso é que seus trabalhos daquela época se universalizaram, tanto que hoje temos fãs incondicionais de Ferris Bueller nascendo após ele sair do colégio. Não é difícil entendê-los. Assistir hoje à Curtindo a Vida Adoidado é poder captar sua mensagem sobre a vida sob o ponto de vista adolescente, mas, acima de tudo, o ponto de vista humano.

Dirigido e roteirizado por Hughes, o filme se passa no decorrer de um dia em que o garoto Ferris Bueller (Matthew Broderick) vai matar a aula pela nona vez esse ano. O diretor da escola (Jeffrey Jones) desconfia há tempos das desculpas de doenças de Bueller e hoje resolve tirar isso a limpo. Sua irmã odeia que o irmão sempre se safe de suas artimanhas e não fará o mínimo esforço para salvá-lo. Seu melhor amigo é o estresse em pessoa, mas assim mesmo vai emprestar a Ferrari do pai para o dia de folga. Ferris fala conosco todo o tempo, como se fizéssemos parte de tudo aquilo, o que nesse caso funciona muito bem ao nos trazer na emoção do momento. A câmera de Hughes é uma visão de mundo que flerta todo o tempo com a fantasia, e que continua mantendo sua síntese no número musical que é a alma do filme.

Acho que já falei sobre isso em O Clube dos Cinco, mas a grande virtude de Hughes é entender essa juventude e levá-la a sério nos mínimos detalhes de sua vida. Isso é o que torna Ferris Bueller's Day Off tão completo em sua mensagem aparentemente despretensiosa. Despretensiosos mesmas são as comédias românticas de hoje, que trata os jovens como completos imbecis.

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