Diário de Uma Garota Perdida

Thymian não é uma gamine, mas flerta com o estéreotipo enquanto encanta os homens com seu olhar ingênuo e curioso. É da misteriosa atriz Louise Brooks a missão de realizar o arco da heroína neste filme mudo alemão de 1929 que muitos consideram um clássico, e talvez não apenas por ser um filme mudo alemão de 1929. Há versões desse filme entre 79 e 116 minutos, e eu acho que a versão mais curta deve ser melhor, pois eu vi a mais longa e não gostei muito do resultado. A câmera repousa por muito tempo no rosto dos atores, um misto entre expressionismo e cacoetes da época, além de sequências desnecessárias, como Thymian dando aulas de dança em roupas de banho.

A história é boa, mexe com nossos brios. Essa garota ingênua e de menor é estuprada por um funcionário da farmácia do pai, gera um filho ilegítimo e o pai faz o que manda o protocolo: expulsa Thymian. Que cai na vida. Passa por um orfanato e depois em um bordel. A dona do bordel é uma atração à parte. É um misto de boa senhora e segundas intenções. Se sai melhor que os vilões do filme, caricatos demais. Embora a moça que toca o gongo que força as meninas do orfanato a se exercitar é um momento hipnotizante.

Hoje há muitas variações dessa história, mas esta é baseada no controverso romance de Margarete Böhme. Apesar das pausas, a direção de G. W. Pabst muitas vezes é dinâmica e possui outros momentos hipnotizantes além da cena do gongo.

Wanderley Caloni, 2021-06-25 13:13:00 +0300

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