Dirk Gently's - Segunda Temporada

2018-01-19 · 3 · 432

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

A segunda temporada de Dirk Gently’s prova que é possível sim construir obras audiovisuais que se baseiam fortemente no espírito do autor britânico Douglas Adams. Se o filme Guia do Mochileiro das Galáxias já dava uma pequena ideia da mente criativa de Adams e DGS01 possuía um season finale de cair o queixo, este S02 coloca agora o próprio core da história, com suas dezenas de personagens, quase tão complexo, denso e fascinante quanto os próprios textos de onde essas ideias surgiram.

Não é pra menos. Baseando-se em um plot que lembra O Mundo de Sofia com testosterona e um estilo geek inconfundível, não haveria nada mais instigante do que a história de um garoto que criou um universo de contos de fadas inteiro em sua mente, tal como se os textos de um livro dessem vida aos seus personagens.

Seguindo a mesma lógica da temporada anterior, onde se partia do bizarro (como criaturas de cabelo rosa e espada de tesoura, ou um barco no meio de uma plantação) para descobertas cada vez menos estranhas, até a revelação final (que é muito bem arquitetada) e a resolução final (que deixa a desejar por excesso de personagens). O que empolga mais na primeira metade desta nova temporada é a descoberta e criação dos seus novos heróis e vilões. Embora simples, as dinâmicas funcionam pela releitura do status quo desses papéis.

Dessa forma, por mais clichê que seja, é divertido acompanhar o xerife novato em uma cidadezinha onde nada acontece (além de Sherlock Hobbs ser o melhor nome!). Ao mesmo tempo é hilário entender junto do obtuso diretor da maléfica organização Black Wing como suas controladoras ações do sobrenatural estão fadadas ao fracasso. E, apesar de cair no clichezão total, a escalada de uma inusitada rainha má não poderia ser mais imaginativa. Ponto extra para suas inventivas blusas com frases de auto-ajuda, que vão do bem sacado “girl power” para o escrachado “não me faça usar meus poderes”. A participação das mulheres nessa saga é vital. Os personagens masculinos empalidecem, onde até o personagem-título entra em uma crise existencial.

Aliás, se há algo que incomoda em “Dirk Gently’s” são seus conflitos artificiais criados para mover a história, como a repetição do irmão que busca ficar bem com a irmã ou o próprio Dirk, adentrando em um marasmo sem fim onde ele questiona e evita seus próprios métodos de resolução de casos. Esses conflitos não são sentidos como tais, sendo sempre mais…

Daí o meu GMail cortou o resto do meu texto. Acontecem nas melhores histórias. Não era para eu terminar. Tudo está conectado, lembra?

Dirk Gently's Holistic Detective Agency (United States, 2016). Com Samuel Barnett, Elijah Wood, Hannah Marks, Jade Eshete, Mpho Koaho, Dustin Milligan. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · series · Twitter ·