Dois Irmãos

2010-10-08

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

O maior mérito da direção deste filme é deixar a história fluir sem interferências, dando vazão a ambas às interpretações, ambas dignas, apesar de gerarem efeitos diversos.

Da irmã, temos raiva pela sua forma de diminuir seu irmão e sempre tentar se elevar, mas também dó de suas tentativas patéticas se ofender os outros (como chamar a anfitriã da festa da tia de gorda e de ter inveja dela).

Ele, por outro lado, nos inspira pela sua forma salutar e calma de lidar com os delírios da irmã. No fundo, como deve ser, torcemos por ele; mas, mais ainda, torcemos por ambos.

Inclusive alguns eventos são tratados da forma mais discreta possível: a morte da mãe é demonstrada com um simples fade-out.

E o desdém da irmã com a morte da mãe é tão bem demonstrada com seu último diálogo no dia da morte: “esse velório é um fracasso”.

O irmão se acostumando com a nova morada é mostrada de forma extremamente econômica e eficiente, com poucos cortes, mostrando ele quase sendo atropelado por uma motoneta, e logo depois acenando para a motoneta passando pela mesma rua (ou seja, se acostumou com os moradores e suas manias). Esse “se acostumar” dele é comicamente observado pela irmã: “você virou uruguaio?".

E sensivelmente, em seu primeiro teste, ele demonstra como pode ser bom ator, e é isso que torna a tentativa da irmã de tirá-lo do teatro tão ofensiva.

Os sussurros nas paredes, em que eles escutam pelos copos, são usados para ambos dizerem verdades (quer dizer, ele dizer). E durante o sono da irmã, ele também pode atacá-la.

Ao final, o quadro belíssimo: agora ambos os irmãos olha o rio do mesmo lado. O que me faz pensar: seria isso uma tentativa de metaforizar a relação argentina-uruguai?

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