Dolores

2016-10-28 · 2 · 370

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Este é um filme feito para a televisão, com um orçamento aparentemente baixo, mas com grandes ideias. Ele repete os passos hitchcockianos e seus mistérios fantasiosos, mas com pouco jeito. Se tratando de um filme que é sobre a cópia perfeita da realidade, este Hitchcock queimou um pouco no forno.

Mas o maior problema seja a trilha sonora. Jörg Lemberg imita um Bernard Herrmann (Psicose, Um Corpo que Cai) em todos os acordes. Se torna quase um Psicose de Gus Van Sant, que reproduz com fidelidade o clássico de Hitchcock, quadro a quadro. Surge a estranheza dessa imitação, sobre um filme que é sobre imitação.

A história gira em torno de Georg Letterer, um modelador de miniaturas feitas com os mesmos materiais do original e com perfeição. Ele faz um avião da segunda guerra que voa de verdade, mas ninguém parece enxergar suas habilidades. Quando a atriz mundialmente conhecida Dolores Moor quebra seu carro bem em frente à sua casa e de seu irmão doente (que ele cuida assim como fez com sua mãe), Letterer tem agora uma nova cliente e uma nova obsessão: fazer uma réplica perfeita da casa da atriz.

O roteiro de Sebastian Feld tem várias esquisitices que não são suficientemente desenvolvidas, mas a história principal caminha independente disso. A fantasia daquela realidade, onde a réplica começa a ser o controle que Letterer possui sobre aquela casa – e, consequentemente, sobre seus ocupantes – é fascinante demais para que os detalhes importem tanto assim.

A direção de Michael Rösel é a maior virtude do filme, pois além de também replicar terrores famosos (A Mosca da Cabeça Branca), suas transições entre o modelo e a casa são sempre significativas. Filmando com uma profundidade de campo reduzida, mas sempre com um foco completo, a impressão é que cada vez mais aquelas pessoas perdem os detalhes que a tornam… pessoas, e os modelos, vistos em planos-detalhes, se tornam cada vez mais reais.

Não conseguindo extrair uma grande lição de uma grande ideia, o filme ao menos diverte e entretém de uma maneira empolgante e visceral. Ele não se atém à loucura de seu protagonista, mas parece alimentá-la cada vez mais. Um pequeno achado, esquecível, talvez, mas nunca a sua ideia.

Dolores (Germany, 2016). Dirigido por Michael Rösel. Escrito por Anne Baltus, Sebastian Feld, Benoît Peeters. Com Hede Beck, Vilmar Bieri, Antonio Di Mauro, Mathias Herrmann, Alexander Hörbe, Christian Koch. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·