Edward Mãos de Tesoura

2011-07-31

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Mesmo mais de 20 anos depois de produzido, o conto do homem inacabado com tesouras no lugar de dedos continua se sustentando bem, e por vários motivos que fazem hoje de Tim Burton ainda um diretor de destaque.

Primeiramente, a concepção de arte, além de primeiríssima qualidade, passa sua mensagem sem precisar de muitos esforços. Apenas com uma ou duas tomadas aéreas mostrando o comportamento da vizinhança do castelo onde vive Edward é possível ter uma noção exata da vidinha que seus habitantes levam. Com o uso excessivo de cores na pintura das casas, na roupa das pessoas e na decoração interna, e ainda, na perfeição e uniformidade das calçadas e jardins, é possível fazer uma comparação instantânea com a morada de Edward, um castelo em tons acizentados interna a externamente e, o mais importante, com um telhado e diversas partes quebradas, como que a externa lizar os defeitos do rapaz que ali vive.

Não só esses cuidados impressionam, como a própria atuação de Depp em um dos papéis mais “freaks” de sua carreira (ainda) terminam por desenhar a mensagem do filme em uma forma quase que completamente visual, ainda que seja preciso pontuar os diálogos e atuação inspirada de Dianne Wiest como Peg, a vendedora de Avon mão de uma família perfeita, como um excelente contraponto.

Diferente do que possa parecer, Edward, quando descoberto, se dá muito bem com a comunidade, e consegue, através de seus talentos especiais, encontrar o seu lugar na vizinhança, se tornando automaticamente o encanto da pequena vila. É exatamente essa distorção da realidade um dos grandes atributos nas produções de Burton, que exagera aspectos da sociedade e os coloca em destaque para todos verem. Ao final do longa, até me lembrei do Willie Wonka traumatizado de seu A Fantástica Fábrica de Chocolates, e percebi a que níveis essa ideia atingiu em seus últimos filmes.

Ainda assim, o filme acaba por cair em velhos clichês dos anos 80, preferindo usar a figura de um romance improvável (e de um anti-herói igualmente improvável) para chamar a atenção para um conflito que até então não existia. Essa conclusão acaba por constituir um dos pontos mais destoantes da história. Mesmo assim, o aspecto visual do filme se mantém, e consegue figurar entre os grandes exemplos de cinema estético e visual, qualidades ainda em sintonia com o trabalho de Burton, e, por que não, de Johnny Depp.

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