Em Segredo

Wanderley Caloni, 2020-04-12.

Bósnia pós-guerra. Uma mãe solteira e sua filha pré adolescente ligeiramente problemática. Uma mescla entre a realidade e o romance centenário de Émile Zola. Turno duplo, esta mulher de meia-idade busca apenas conseguir dinheiro para que sua filha possa viajar em uma excursão da escola. A felicidade desta mãe é apenas a de sua filha. Seu marido morreu na guerra, é conhecido como mártir em uma sociedade ainda em reconstrução. Uma sociedade quebrada, fragmentada, com cicatrizes aparentemente irrecuperáveis.

Parece uma história clichê de países do Leste Europeu, mas a atuação das duas compensa e muito. A direção de Charlie Stratton escolhe momentos diferentes em cena que nos dão uma visão mais íntima do que se passa na mente dessa mulher comum e trabalhadora que quer apenas a felicidade da filha. Ela está apenas construindo o futuro dela, da geração que vem, enquanto tenta se reconciliar do seu passado. A ponte entre as gerações é quando ambas cantam, na última cena. Perceba essa transição e perceberá o filme inteiro.

Como filme não é empolgante; como drama, hipnotiza. Nós simplesmente não conseguimos tirar os olhos dessa história que soa tão natural que é a própria naturalidade dessas duas que cativa nossa atenção. Em uma sociedade traumatizada e tornada pobre pelas mazelas da guerra, nós queremos um lugar ao sol para todas as pessoas que vemos no filme que batalham por um dia melhor. E para esquecer. E para relembrar.

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