Encontros e Desencontros

Wanderley Caloni, 2020-07-26

Confesso que este filme me dava sono, mas havia algo mágico em seu ritmo quando o vi a primeira vez aos vinte e poucos anos. Ainda que de maneira inconsciente, havia percebido uma linda mensagem por trás dos eventos sempre banais da história dos ricos e famosos.

Diálogos precisos e situações icônicas criam a atmosfera perfeita para um diálogo universal sobre solidão e isolamento. Este, sim, é um filme perfeito para se assistir nos momentos insuportáveis da quarentena, pois mostra o quão sozinho e sem esperança conseguimos nos sentir mesmo estando cercados de centenas de pessoas.

Obviamente que Sofia Coppola deve ter sofrido muito disso. Filha de um dos diretores símbolos de sua geração, a filmografia da diretora está sempre observando a rotina das celebridades que ela não apenas conhece, mas vive, desde O Poderoso Chefão, quando era apenas um bebê no colo dos Corleone, para virar dois filmes depois a "interpretação mais fraca da trilogia", um consenso da crítica "especializada" a respeito da então atriz.

As experiências cinematográficas da diretora afiam seu tema constante. Começa com As Virgens Suicidas e a desilusão amorosa boba por trás da figura masculina, mas ganha corpo em Maria Antonieta e principalmente Um Lugar Qualquer, indo de novo ao encontro no banal e divertido Bling Ring. Pertencente à mesma bolha social, Coppola enxerga em seus personagens um grito surdo por significado em suas vidas livres de dores financeiras, mas cheias de insignificância.

Apesar de uma filmografia pelo menos competente desde o começo, é apenas em Encontros e Desencontros que encontramos um trabalho menos inciviso e petulante, o que dá abertura para uma experiência mais rica e complexa do que é ter o mundo nas mãos e não conseguir a atenção das pessoas próximas (como a própria família). Se a trilogia de seu pai criou a antologia definitiva da história americana, e por tabela do mundo, os filmes de Coppola são a consequência do acúmulo de riquezas do país mais próspero da História: falta de objetivos na vida, consumismo e o trabalho como ferramenta de alienação.

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