Enola Holmes e o único teste que ela passa: Bechdel

Wanderley Caloni, 2020-11-14.

Quando você pensa em escrever sobre um filme esquecível e irrelevante como Enola Holmes a primeira coisa que vem à mente é rotular e julgar como um produto Netflix com todo seu checklist obrigatório, como o feminismo. Porém, isso é tão óbvio que não merece mais ser citado.

O que merece ser refletido ao vemos um filme como Enola Holmes é como as estruturas do sistema transformam ideias com boas intenções em mecanismos de opressão.

Você conhece o Teste de Bechdel? Foi um conceito criado para rotular filmes a partir de uma métrica simples que irei expandir conceitualmente aqui: há personagens femininas nesse filme que não são apenas instrumentos do protagonismo masculino?

A popularidade dessa ideia nos faz refletir em quão poucos filmes passam nesse simples teste, e a brincadeira era como se fosse um teste. Hoje é um mecanismo de seleção de quais obras podem ou não ser produzidas.

E o que isso tem relação com mecanismos de opressão e Enola Holmes? Tudo. Este romance adaptado poderia, assim como os milhares de romances lançados todo ano, a maioria com qualidade duvidosa, ser esquecido nas prateleiras, virtuais ou não, de uma livraria. A categoria: mulheres empoeiradas.

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