Era uma Vez em Tóquio

Tokyo Story, ou Era Uma Vez em Tóquio, como seus títulos ocidentais sugerem, é um conto, que se constrói no Japão pós-guerra e faz uma dura crítica à sociedade ocidentalista da época, mas como todo grande filme se torna atual mesmo 50 anos depois pelas suas mensagens eternas sobre vida e família.

Iniciando com uma viagem do marido e esposa já aposentados que vão se encontrar com seus filhos em Tóquio, vão aos poucos percebendo que a cidade grande e seus afazeres da vida moderna não têm tempo nem espaço para acomodá-los, com exceção de sua amável nora, que parece sempre priorizar o bem estar dos seus sogros mesmo que este não sejam de fato sua família e que seu marido já tenha falecido há mais de oito anos na guerra.

Embora tenham lá seus momentos agradáveis e nunca transpareça que seus filhos no fundo acham sua presença um estorvo, a genialidade do filme aparece nos pequenos detalhes, nos diálogos e muitas vezes nas próprias situações que vão ocorrendo tão naturalmente que o diretor parece não querer julgar nada em momento algum. Isso faz com que o espectador nunca julgue, mas esteja sempre atento à reflexão do que aquelas cenas conseguem transmitir de mensagem.

E parece ser isso a força invisível desse filme. Muitos excelentes trabalhos posteriores usaram a mesma receita - onde se encaixa com certeza o tocante Hanami - mas Tokyo Story tem aquele ingrediente mágico de fazer as pessoas pensarem por si sós o que tudo isso significa. Essa leveza de cores pode transformar a vida de muita gente por muitas décadas ainda.

Tokyo Story em Família

Caloni, 2021-12-18.

Assisti novamente este clássico, dessa vez em família. Família japonesa. Foi divertido acompanhar os comentários da minha sogra sobre sua avó e os costumes da época, assim como o quão apertadas já eram as casas em Tóquio na década de 50. A naturalidade com que as coisas acontecem em Era Uma Vez em Tóquio rivalizam com os enquadramentos bidimensionais dos personagens, enclausurados nesta realidade imutável do tempo.

Ambas as virtudes pertencem ao seu diretor, Ozu, que parece deixar fácil uma história que transcende sua primeira camada. Quando a nora fala sobre ser egoísta e toda uma última discussão entre os personagens mais íntegros desta história, é quando percebemos a real profundidade deste filme. Ele é eterno, pois trata da humanidade como ela é. Como as gerações se tratam, o distanciamento, os interesses. Acaba sendo um reflexo histórico também do Japão da época, embora possa servir para qualquer época.

E nisso entra Hanami, uma reencarnação mais jovem e artística. Hanami é obviamente uma homenagem e referência, e não um remake, pois o próprio assunto de sombra e espírito informam ao espectador que este é um tema antigo sob uma nova roupagem, não melhor ou pior, apenas diferente.

Wanderley Caloni, 2013-10-31 00:00:00 +0000

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