Estrela Nua

2020-07-11

No final da época das pornochanchadas, este filme, como se diz em grupos menores de homens, “paga peitinho”, mas se veste de drama intimista, que é quando a coisa desmorona. Se levar a sério demais é o primeiro passo que todo filme ruim deve dar se quer se tornar péssimo a partir daí.

Não que este o seja, pois ainda mantém o tema simpático dos dubladores brasileiros, sempre com orçamento apertado e um péssimo trabalho. E “o que não é feito nas coxas no Brasil? O que é enfiado no rabo, logicamente.” é uma das melhores fala de toda filmografia nacional.

Ela é loira, corta o cabelo curtinho e vira dubladora de uma atriz que morreu antes de dublar seu último trabalho. É um tema Almodovarístico e se pode fazer muito com ele, como Almodóvar geralmente faz, mas aqui a história engessa na chanchada e no pseudo-drama, se esquecendo que com esse orçamento o melhor a ser feito é apostar no trash. Estava indo bem e vira masturbação de estudante de cinema. É triste ver tanta pretensão jogando ótimos momentos, naturais, no lixo.

Mas ele “paga peitinho”, e era isso que importava em uma época em que brasileiro precisava de um incentivo para comprar os ingressos e sair de casa. Ele tem também uma parca mensagem política para preencher a tabela das necessidades de um filme brasileiro sair do papel. Faz lembrar em como cada trabalho para ser vendido em território nacional tem que preencher a cartilha ideólogica ou fora, mesmo que o filme em questão talvez quisesse em seu roteiro original apenas “pagar peitinho”.

Compondo o elenco um filho que sei lá pra que (servir de babá durante as filmagens?), um ex igualmente descartável, uma melhor amiga que viaja e se casa com um fazendeiro. A conclusão que homens, únicos que assistirão a este filme, é que merecia enxugar essa trama aí e ter mais peitinho.

Mas não: alguém se achou esperto demais.

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