Eu Prometo Ser Sensato

No começo de Eu Prometo Ser Sensato testemunhamos o último desastre de Franck, um diretor de teatro completamente fora de controle. Não é uma situação engraçada, mas trágica, para o elenco, o público e ele mesmo. E este ironicamente é o resumo do filme inteiro de Ronan Le Page: sem sentido, sem paixão e sem controle. Não há nada neste filme que você irá sentir falta quando ele acabar.

A história é sobre o que Franck faz depois do desastre inicial que vemos. Interpretado de maneira tresloucada e automática por Pio Marmaï, do muito melhor Beijei uma Garota. E ele arruma um emprego temporário como assistente de museu. Acompanhamos sua tentativa de se adaptar e no meio dela descobrirmos que ele é um personagem completamente desbaratinado, um enigma. Simplesmente não dá para entendê-lo, e isso nem é por ser francês. Encontrando outra louca, interpretada por Léa Drucker e que cria uma personagem muito mais interessante apenas com trejeitos e expressões (vamos esquecer os diálogos), o circo da comédia francesa está formado.

Essa é a história dos que não se adaptam, dos fora do sistema. Incapazes de manter um emprego estável, essa turma vive de galho em galho. E isso não teria nada de errado, muito pelo contrário, se seus personagens fossem minimamente interessantes. Mas não são. Apelando para estereótipos fáceis, como a garota que usa misticismo como resposta para tudo, ou sequer caricaturas, como os dois personagens principais, "Eu Prometo" é o que existe de pior na comédia francesa na última década: comercialmente preparada para uma turnê mundial, mas incapaz de entender o próprio cosmos onde foi criada.

O fiapo de trama do filme relaciona antiguidades não-catalogadas de um museu, farmacêuticos tarados por relíquias de sua profissão (e com dinheiro para pagar por eles, o mais absurdo), uma personagem com dislexia leve e que é tratada como uma maluca e muitas piadas que não funcionam. Você já sabe onde e quando o filme vai acabar lá pela metade. Depois disso poderá deixar a sessão sem peso na consciência. Se não houve nada para rir até o momento, vai ficar ainda pior.

Wanderley Caloni, escrito para ou com a ajuda de Cinemaqui, 2019-10-21 00:00:00 +0000

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