Festa de Família

Wanderley Caloni, 2020-09-29

O Dogma 95 foi um movimento iniciado por diretores escandinavos como Lars von Trier (conhecido fã de Hitler e seu trabalho) que "prega" que um filme para fazer parte do Dogma deve seguir uma série de limitações em sua produção, como ausência de sons inseridos, a câmera deve acompanhar os atores onde eles forem (então ausência de iluminação artificial também). Ausência de qualquer peça de cenário que já não fizesse parte da locação. A lista é bem extensa e torna a tarefa do diretor mais desafiadora e interessante.

E por isso que este representante do Dogma 95 até que é bem feito, o que faz pensar se não estamos saturados de efeitos no cinema que nos impedem de ver a coisa real. A edição, os diálogos e o movimento da câmera fazem todo o serviço de não sentirmos falta de ver algum filtro específico para dramas familiares. E neste filme o que mais pesa é o seu drama de família escancarado para todos verem. É um vexame a céu aberto. E ele escala como você nunca viu em suas festas de fim de ano com os cunhados que gostam de falar de política junto das piadas de pavê.

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