Film Theory and Criticism

2019-06-17 · 5 · 961

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Este é um livro-referência sobre crítica cinematográfica que você encontra em respostas do Quora sobre onde aprender mais sobre o assunto. Aliás, falando sobre a profissão, a resposta do crítico Mark Hughes é bem completa, além de desanimadora para os interessados em ingressar na área. Mas voltemos à teoria.

Esta na verdade é uma coletânea, ou uma antologia, atualizada de tempos em tempos pelos seus autores, Leo Braudy e Marshall Cohen. Eles inseriram discussões contemporâneas sociais nas últimas edições, por exemplo, mas mantiveram o bê-a-bá que todo crítico e teórico necessita saber se pretende encarar a sétima arte como… arte.

Estou lendo uma versão alternativa do site Libgen.io, que eu recomendo a todos que desejam ter uma visão inicial do que pretendem adquirir. No meu caso para este livro os artigos seguem um a um sem uma separação muito clara, por falta da diagramação em sua versão física ou digital oficial. O lado ruim de ler uma antologia com essas características gráficas é que não tenho certeza quando um texto termina e começa outro, embora a discussão cinematográfica em si vá aos poucos encaixando uma ideia na outra. O único efeito lamentável é que nunca se sabe quem está escrevendo o ensaio. Pode ser que eu esteja lendo aquele cineasta soviétivo teórico da montagem, Eisenstein, por exemplo, e parecer um autor anônimo “qualquer”. Não que essa não seja uma hipótese divertida.

O que me fez começar a anotar algumas partes foi na discussão sobre edição, com insights que não capturei ainda em nada que assisti ou li a respeito. Como a questão do movimento no cinema.

There is a law in psychology that lays it down that if an emotion give birth to a certain movement, by imitation of this movement the corresponding emotion can be called forth.

Esta é uma parte sobre edição que não tinha noção: você dita o ritmo psicológico que você quer que o espectador esteja no momento da ação (mais lento para refletindo, mais rápido para tenso, por exemplo). Ao imitar o movimento, de acordo com a psicologia, você chama a emoção à tona.

Entre as ferramentas da montagem, que alia-se à edição justamente pelo aspecto psicológico do resultado que estes geram no espectador, pode-se usar outras técnicas diferentes do tempo da cena, como o contrastre (mostrar coisas distintas), o simbolismo (significado metafórico), o paralelismo e simultaneidade (não muito clara a diferença, mas tem a ver com o tempo correndo, ele dá o exemplo de um relógio) e por último o Leitmotif, que é como o refrão de uma música: repetir a mesma cena ou a mesma ideia no decorrer da história.

Sobre o “refrão” no Cinema, me lembro como exemplo (porque vi recentemente) as pessoas repetindo em Quero Ser John Malkovich quando falavam com esse ator no filme como ele foi ótimo no trabalho em que ele fazia um ladrão de joias. Malkovich nunca fez um papel desses, o que nos faz lembrar, no caso desse filme escrito por Charlie Kaufman, como até um ator aparentemente de prestígio e sucesso, entre as massas é descartável e esquecível.

Mas voltando à montagem, em algum outro texto emendado deste livro se fala sobre a cultura japonesa, e como se combina elementos visuais como kanjis, que formam representações de algo que não pode ser graficamente representado, além da forma peculiar do japonês em capturar uma cena através do desenho.

Our school: the dying method of spatial organisation of the phenomenon in front of the lens: from the ‘staging’ of a scene to the erection literally of a Tower of Babel in front of the lens. The other method, used by the Japanese, is that of ‘capturing’ with the camera, using it to organise. Cutting out a fragment of reality by means of the lens.

Essa diferença na forma de criar os desenhos foi significativo no início da arte, mas o autor segue demonstrando como ambos os modos podem ser combinados hoje em dia, pois a arte aglutina as boas ideias, mesmo que conflitantes. O Cinema, aparentemente, estreita as diferenças culturais.

The Japanese actor in his work utilises slow tempo to a degree that is unknown in our theatre. Take the famous hara-kiri scene in The Forty-Seven Samurai. That degree of slowing down is unknown on our stage. Whereas in our previous example we observed the decomposition of the links between movements, here we see the decomposition of the process of movement, i.e. Zeitlupe [slow motion]. (…) In this instance, in the case of stereoscopy, the superimposition of two non-identical two-dimensionalities gives rise to stereoscopic three-dimensionality. In another field: concrete word (denotation) set against concrete word produces abstract concept. As in Japanese (see above), in which material ideogram set against material ideogram produces transcendental result (concept).

Mais uma vez sobre a diferença do uso do tempo, ou a decomposição do tempo/movimento no Cinema/teatro. Ele dá nesse momento como exemplo Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa.

The intensity of our perception increases because the process of identification is easier when the movement is decomposed. The incongruity in contour between the first picture that has been imprinted on the mind and the subsequently perceived second picture – the conflict between the two – gives birth to the sensation of movement, the idea that movement has taken place.

Próximo texto de André Bazin (tirado de O Que é Cinema?): A Evolução da Linguagem no Cinema.

André Bazin (1918-1958) é um teórico instrumental para a compreensão da sétima arte, além de não ficar apenas na teoria: em 1947 ele cria o periódico La Revue du Cinéma e em 1951 o quebrador de paradigmas Cahiers du Cinéma, que virou referência por muitas décadas. É dele uma visão mais focada na composição do quadro em vez da montagem. Veremos como ele se sai nesse ensaio.

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