Flor do Meu Segredo

Eu sempre penso que já vi um Almodóvar. Sobretudo os antigos. Devo ter visto no Belas Artes, esse antro artístico da Augusta/Consolação na capital paulista, há muito tempo atrás. Ou não. O diretor é repetitivo como Woody Allen, mas isso é ótimo, pois o estilo de ambos podem ser repetidos à exaustão. Quando estão em forma ninguém segura o amor desses dois pelo cinema.

E no caso de Almodóvar o amor pelo cinema, pela Espanha, pelas mulheres, pelas criaturas que conversam em seu imaginário, de suas memórias. Almodóvar é autêntico, e seus personagens acabam sendo também. E não tem como desgostar de personagens autênticos. Você pode achar a trama fraca e novelesca, mas seus personagens têm pertencimento, por onde quer que andem no universo almodovariano.

Aqui temos a figura tráfica, multifacetada, louca, de uma mulher, desculpe o trocadilho, à beira de um ataque de nervos. Ela é uma escritora de sucesso que vive nas sombras, aguarda um marido de um casamento falido e nem repara que foi traída pela melhor amiga. Ela vive parte dos dramas que escreve na vida real, mas o roteiro não é tão direto assim. Ele dialoga com as possibilidades.

Wanderley Caloni, 2021-10-14 22:22:40 -0300

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