Gekkan Shojo Nozaki Kun

2020-05-16

Assisti a esta série a temporada inteira e me esforcei para não debochar da fórmula e em troca ganhei algumas piadinhas. Algumas até engraçadas, mesmo que previsíveis. Quem não liga para isso é mais feliz assistindo animes.

É até possível sair da fórmula imposta pelos gêneros de animes, como este “mangá para garotas”, mas esta é uma série que não o faz. A ideia é uma história onde a menina se apaixona por um desenhista de… acertou: mangá para garotas. Quase como um Madoka Mágica Shojo, se este anime usasse sua ideia diferente não apenas como porta de entrada, mas também no desenvolvimento da história.

Para os que não conhecem, Madoka Mágica é um mangá/anime do estilo “garotas mágicas”, mas ele subverte o gênero descrevendo uma ficção científica dark e pesada que caminha por devaneios filosóficos envolvendo moral, destino e sentimentos humanos. Apenas como chamariz, Madoka cita a obra máxima de Goethe, Fausto, e com propriedade, já que lida com pactos cujas consequências estão fora da compreensão do seu protagonista, seja Fausto ou Madoka. Porém, minhas desculpas a Goethe, mas Madoka acaba sofrendo mais.

Quando uma obra dessas surge ela impulsiona ou revela um desejo latente na geração em explorar metalinguagem. Cansados das velhas fórmulas, as obras se voltam para si mesmas como uma maneira de se analisarem e com isso tentam criar algo novo, o que quase nunca funciona. Como se diz lá na Marvel: fazer um reboot.

Esta série entra nesse esquema de maneira preguiçosa, quase como um deboche ao gênero que representa. Com isso adota o caminho inverso do nobre drama sobre a existência de garotas mágicas em um universo fadado à entropia para mais um anime que usa os mesmos artifícios de história de menininha. O fato dela estar inserida na própria obra que analisa é mero capricho mercadológico.

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