Hairspray Em Busca da Fama

2012-05-14

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Há uma mensagem muito bela em Hairspray, sobre o fim da guerra inter-racial ocorrida nos EUA na década de 60. Aliada a danças empolgantes e teatrais, nos leva a concluir tristemente que sua moral pertence ao mundo dos sonhos, da dança. E é na dança que está a maior virtude e o maior defeito desse filme.

Ao empolgar pelas performances saudosas e vigorosas de personagens vindos de um filme dos anos 80 imitando a época dos anos 60, o musical perde ainda mais seu contato com o público. A trama principal, sabemos ser tão irreal quanto as cores pastéis estilizadas para os cenários, os figurinos e a maquiagem dos personagens. Até até mesmo John Travolta, apesar de toda a técnica envolvida em transformá-lo em uma quarentona enorme servir apenas para ilustrar a bizarrice de uma história sem muito embasamento.

Não sei se é a figura ingênua encarnada por Nikki Blonsky que não consegue transmitir a emoção real da adolescência da época, ou até mesmo do original dos anos 80. Tudo é muito teatral. Isso não costuma ser ruim em filmes como A Noviça Rebelde, que virou um clássico exatamente por conseguir transpor facilmente a realidade e a ilusão. Porém, aqui tudo é muito difícil de engolir. Aqui a velha crítica das pessoas que os musicais são chatos porque as pessoas saem de qualquer lugar e começam a cantar e a dançar faz sentido. Até a figura de Queen Latifah como a idealista Motormouth Maybelle é excessiva e desmerece a dramática luta para a aceitação do negro na sociedade americana da década de 60.

Se há algo que conseguimos tirar de hairspray, são ótimas danças com sentimentos mistos de magia e decepção. A viagem para os anos 60 ficou incompleta nesse caso.

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