Harry Potter e a Ordem da Fênix

Este é um rascunho e está sujeito a mudanças.

A série de filmes começa a parecer uma série televisiva, inchada para pouca recompensa no final do episódio. A suposta genialidade de J. K. Rowling em recriar a mitologia Star Wars acaba se tornando óbvia demais nesse episódio onde apenas pessoas específicas morrem para que haja algum peso dramático, e a dicotomia entre progressistas e conservadores seja novamente usada como uma óbvia alegoria em nosso século onde seguir as tradições é usado como a marca da besta.

O filme não se diferencia por muito mais que isso dos outros. Apresenta novos personagens que serão usados na batalha final e para aumentar a diversidade com novos elementos femininos. É curioso como a participação de Gary Oldman como Sirius Black parece ter sido pincelada para pouco tempo de tela e muito impacto narrativo. Assim como Dumbledore e outros adultos que antes apenas eram portas de entrada para as crianças bruxas e as leituras desses livros.

Mas a ideia geral é a troca de gerações, e nada como um bando de jovens liderados pelo bruxo escolhido Harry Potter para que outra alegoria muito usada, a dos jovens revolucionários, tome as rédeas de um mundo cínico onde a mídia é controlada pelo mais alto grau dos bruxos. O medo de perder poder acaba atrasando o progresso e a elucidação de fatos que a autora tanto venera em seus livros: o mal está de volta (ele sempre está, não?) e precisamos de mais força para impedir.

Aliás, não deixa de ser irônico que um controle mais conservador em Hogwarts impeça os alunos de aprenderem a se defender (ou atacar, mas não se usa como sinônimo), enquanto o lado mais progressista na vida real seja o mais entreguista possível, assim como a contradição entre usar o nome de Voldemort para impedir que o nome ganhe poder enquanto usar a expressão sangue sujo para mestiços entre bruxos e trouxas é ofensivo e deve ser evitado.

Enfim, alegorias muito simplistas tendem a entregar resultados superficiais. Aqui conhecemos o lado mais adulto de Rowling, e ele não é nada maduro.

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