Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Este é um rascunho e está sujeito a mudanças.

O bruxo Harry Potter e seus amigos atingindo uma idade em que a história começa a ficar ligeiramente mais interessante e menos infantil, menos magia por magia, menos efeitos tomando conta da história, embora os efeitos em si criam uma nova dimensão ao entretenimento.

Aqui a troca de direção só faz bem, pois há uma mudança na linguagem visual que torna esta a aventura mais dinâmica até agora, com transições elegantes, como uma coruja mudando a estação durante o vôo, e uma câmera mais interessada em seus personagens do que em espaço de fundo verde. Alonso Cuarón já provou ser um exímio narrador de fábulas, como em A Princesinha, e aqui seu lado lúdico se une ao dramático. Ele consegue dialogar tanto com os espectadores mais novos quanto com os aspectos mais sombrios da história da escritora J. K. Howling.

A fotografia é mais sombria que nos filmes anteriores, mas ao mesmo tempo mais afiada, onde trevas e luz estão conversando a todo momento e a magia é usada para o bem como uma luz que ilumina as sombras dos temidos dementadores. Este é o filme com a arte mais humana quando se observa o efeito das magias com varinha; elas soam mais natural, fazem parte do mundo onde se passa a história, e não um mero apetrecho de palco, como os sabres de luz em Star Wars várias vezes nos faz sentir.

Esta é uma história bem construída e sem uma reviravolta boba como as anteriores, geralmente envolvendo de maneira preguiçosa um novo professor. Além disso, seu terceiro ato é um exemplo do uso de viagem no tempo sem chamar tanta atenção ao efeito e mais em auto conhecimento. Como toda viagem no tempo possui seus furos lógicos, mas é a experiência que conta, e esta é uma das melhores já vistas no cinema.

O trio principal está mais crescido e podemos observar a evolução de suas interpretações. Ronnie de Rupert é o mais desafiado, pois deve sair de sua caricatura cômica e amadurecer sem esquecer suas origens. Hermione demonstra o controle inteligente da atriz Emma Watson. E Harry está mais à vontade do que nunca nas mãos de Daniel Radcliffe, em um terceiro filme que já demonstra o sucesso de um projeto de oito distribuídos por dez anos.

Como existirão muitos episódios ainda a escritora J. K. Howling não sente a pressão de envolver todos os personagens principais com tempos de "tela" artificiais. Ela e o roteirista que adapta entendem que este é apenas mais um episódio de uma história menor. Detalhes serão reveladores para o conjunto, mas no momento ele só se preocupa com o ano letivo.

Ninguém menos do que o próprio diretor entende isso. Ele não chama atenção para si mesmo e seu filme, entende e abraça o conceito de um grande filme em movimento a cada novo ano, e realiza um salto elegante entre começo e fim que nos entrega visualmente o que muda na vida de Harry esse ano.

Diferente da trilha sonora anterior, que flertava com uma mistura entre Esqueceram de Mim e ET, a adaptação de John Williams respeita o tema principal, mas resolve diminuí-lo pelo bem de um episódio mais dramático e movimentado que a fantasia infantil dos anteriores.

draft movies