História do Xadrez

2020-07-15

Já tinha ouvido falar deste clássico do enxadrista campeão mundial Emmanuel Lasker, mas nunca a oportunidade de lê-lo. Então ele caiu no meu colo em meio a inúmeros downloads de livros sobre xadrez e comecei a folheá-lo digitalmente. Para minha surpresa ele é curto, fluido e divertido para fãs do jogo. Há algo que nos leva a ler cada vez mais, principalmente se você é um enxadrista, amador ou profissional, e se encanta em como o xadrez passou por tantos séculos e tantas culturas diferentes, saindo do místico Oriente e indo se situar confortavelmente no berço europeu e, posteriormente, na União Soviética, de onde surgiram os maiores ícones do último século.

Uma particularidade que é necessário ressaltar é como o jogo de xadrez foi por muito tempo um jogo de azar. Sim, os lances eram decididos nos dados, e talvez essa tenha sido a chave de sua longevidade imprevisível. Lasker nos premia com uma descrição de uma partida de xadrez sendo jogada com espectadores interessadíssimos nos resultados:

“…Uma partida dura horas. Muitas vezes, não termina senão no segundo dia. Nas proximidades, senta-se uma multidão de espectadores, que fitam o tabuleiro em silêncio. Quando, porém, é feito um lance, se for inesperado, belo ou brilhante e mais particularmente se envolver o sacrifício de uma peça, os espectadores pulam, gritam alto, mostram sinais de alegria ou dançam e até mesmo choram de excitação. O jogador muitas vezes pensa durante uma hora antes de fazer um lance. O final de uma partida é uma verdadeira cena de festa. A excitação muitas vezes leva os jogadores a aumentarem suas apostas ao ponto de a derrota no jogo envolver a ruína absoluta do vencido. Para começar, apostam-se as renas; depois, os cães; depois, as roupas; em seguida, todos os bens de um homem; e, no final, até mesmo as mulheres são apostadas…”

Notemos o quão sério o xadrez pode ser levado pelo homem e talvez estejamos mais próximos de tentar entender a própria complexidade do raciocínio humano em torno de jogos ou qualquer sistema simbólico que nos faça sentido. Fazer sentido pode ser entendido como uma droga. Tenho um amigo que já se viciou em xadrez, aliás. Espero nunca chegar nesse nível.

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