Homem na Parede

O filme é quase um conto narrado em diversas e longas sequência que mostram os acontecimentos em um apartamento enquanto uma esposa aguarda ansiosa pela volta do marido desaparecido. O filme inteiro se passa no apartamento, e os únicos cortes são justamente a passagem do tempo.

O que há de forte em Homem na Parede são os elementos do roteiro, que se acumulam de forma caótica e manipulada, mas que funcionam justamente pela estrutura tensa e misteriosa criada a partir de seus personagens, que sempre possuem algo a esconder. Os detalhes que vamos apanhando de um determinado relacionamento ou do passado de um personagem vão nos dando pistas do que está acontecendo com ela e seu marido.

O preciosismo técnico do diretor/roteirista Evgeny Ruman em usar cenas sem cortes funciona muito bem, mas há alguns momentos que ele chega a distrair. O uso indiscriminado de espelhos, por exemplo, apesar de fazer sentido, exagera um pouco (como na porta principal), a ponto de nos perguntarmos onde está a câmera.

Por outro lado, apenas essa técnica consegue resultados narrativos tão dinâmicos quanto posicionar dois interlocutores em uma posição para no momento seguinte invertê-los. Isso tem efeito na história em dizer quem é que está mandando agora.

Como exercício de técnica, Homem na Parede se assemelha a um TCC muito bem feito para uma produção tão modesta. Como Cinema, nos brinda com a expressividade de sua narrativa, que não precisa de muito para construir tensão do começo ao fim.

Wanderley Caloni, 2016-07-22 00:00:00 +0000

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