Houve uma Vez Dois Verões

Wanderley Caloni, 2020-09-06

Meninas virgens costumam ter o que vulgarmente se conhece como "amor de pica", que é quando ela não consegue largar o garoto que a desvirginou; para o resto de sua vida. Trágico. Em contrapartida, Houve Uma Vez Dois Verões parte da história de um menino virgem que tem uma única noite com a garota perfeita, jogadora de fliperama, e desenvolve o que chamaríamos por tabela, e também vulgarmente, de "amor de xana".

André Arteche é Chico, um adolescente comum que com seu amigo procuram oportunidades para transar em qualquer lugar e situação para sair do ponto de partida. Apesar de passarem as férias na maior praia por extensão do mundo, no Sul do Brasil, para economizar seus pais fazem a viagem em baixa temporada, e o que vemos é uma praia maior ainda, quase abandonada, e com nenhuma menina interessante à vista.

Mas a sorte de Chico muda com a aparição milagrosa de Roza (com Z mesmo), encarnada pela paradisíaca Ana Maria Mainieri (ou paradisíaca vista por adolescentes espinhudos, pelo menos). Ambos irão viver uma trama de mentiras e joguinhos que tanto faz sucesso nas comroms.

Os diálogos descompromissados do cineasta Jorge Furtado, o mesmo de Meu Tio Matou um Cara, valem o filme, e seus elenco, apesar de amador, é filmado em uma edição vibrante, que se solta do teatral por ser dinâmico. É ágil, de cortes elegantes e decupagem primordial em uma produção de baixo orçamento.

O resultado é uma divertida comédia adolescente, despretensiosa e esquecível. Há algumas tiradas difíceis de esquecer, principalmente porque nunca mais serão permitidas ("hoje eu como até gorda"). Vem de um universo inocente, menos politizado, onde nem tudo precisa ser descontruído, discutido, debatido. É bom para esquecer a derrocada da sociedade que vivemos.

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