It: A Coisa

O que é o medo? Eis uma pergunta extremamente importante para os que desejam adaptar a obra icônica de Stephen King, "It", onde o medo é descrito de maneira literária. E abstrata. Ela não é um palhaço aterrorizante, nem criaturas que saem dos quadros, nem qualquer clichê cinematográfico de filmes de horror.

E por isso mesmo esta adaptação do livro conduzida por três roteiristas e idealizada pelo diretor responsável pelo fraco Mama merece uma pequena nota de crédito. Isso porque ela, apesar de usar sim um palhaço aterrorizante e vários outros clichês, reinterpreta tudo isso na mente das crianças assombradas por essa figura simbólica.

Ora, cinema é algo visual, e vemos no filme diversas formas de medo que já são retratadas no cinema. Porém, nenhuma dessas visões se trata da ameaça em si. São apenas representações de algo mais interno, que o roteiro deste filme explora como traumas dos seus heróis, seja a garota molestada em sua própria casa, o gordinho que sofre o previsível bullying escolar e um garoto gago que perdeu seu melhor amigo da mesma forma com que várias crianças são perdidas através do medo. Ou, melhor dizendo, vários adultos nunca surgem porque essas crianças presenciaram o medo em suas vidas, muito cedo.

Toda essa beleza de poesia a respeito do medo está contido em "It", ainda que abstrata e pedestre demais para sair do medíocre gênero do horror fácil. O filme usa conhecidos exploitations automaticamente, revelando uma falta de criatividade ofensiva ao criador da história original. Além disso, apesar do elenco mirim ser competente, suas falas são bobas e nunca fazem esses personagens avançaram a linha de partida. Diferente de outros tipos de aventuras muito mais desafiadoras, embora da mesma faixa infantil, como Os Goonies ou até o mais adulto Conta Comigo.

Além disso, os efeitos visuais computadorizados tornam a estética de "It" insossa e artificial demais. Falta a poeira dos velhos clássicos e o "realismo" dos efeitos. Sobra uma limpeza preocupante nos cenários, e mais uma vez a falta de imaginação na direção de arte em tentar transformar o medo em algo não palpável para todos nós, mas pelo menos sugestionável.

Wanderley Caloni, 2018-12-07 00:00:00 +0000

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