Lanterna Verde

2011-08-29

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Cada vez mais começo a acreditar que o uso de muitos roteiristas (nesse temos incríveis 7 pessoas colaborando!) acaba por nivelar por baixo uma história até com um certo potencial. Nesse novo filme de super-herói, a impressão geral que fica é que, ao tentar explicar tudo detalhadamente, para não restar dúvidas aos espectadores, foi feito um filme cuja chatice é inversamente proporcional ao número de efeitos visuais.

Dirigido pelo diretor do novo Cassino Royale (para provar que sucesso não é linha de chegada), Lanterna Verde conta a história de Hal Jordan, um piloto de caças que, irresponsável e fanfarrão, acaba por ser escolhido (ao melhor estilo senhor dos Anéis) pelo anel que representa um grupo de seres intergalácticos que dividiram as galáxias em setores e pretendem manter a paz com o uso do poder que emana da vontade inerente a todo ser vivo, potencializado pelo uso dos anéis que os conectam a poderosas lanternas. São parte da criação dos seres mais avançados do universo, os guardiões, que são imortais e criaram essa congregação para evitar que o mal prevalecesse no mundo, ou algo que o valha: ironicamente, os conceitos de bem e mal, ou suas motivações, nunca são muito bem explicadas.

Por outro lado, a explicação mais interessante é o uso da cor verde como o representante da força de vontade, uma vez que é de fato muito ingênuo imaginar que milhares de espécies evoluídas da galáxia enxergariam uma determinada frequência da luz da mesma forma. Isso nos dá a liberdade de passar de ficção científica para fábula, ainda que o filme tente de todas as formas tornar a tal congregação verossímil (como a forma dos lanternas verdes se locomoverem tão rapidamente pelo universo).

Hal Jordan (Reynolds), nesse contexto, vira um reles instrumento dessa força, mas, mesmo assim, é a sua motivação pessoal (?) e sua imaginação a força motriz que irá lhe dar os verdadeiros poderes de um super-herói: a capacidade de materializar qualquer coisa com essa força.

Infelizmente, nem o anel conseguiu materializar uma história que o valha. A trajetória do herói não convence, ou pelo menos não o suficiente para acreditar que o esforço de um representante dos paladinos do Universo em sua espécie mais fraca (os humanos) consegue combater a maior ameaça que já tiveram que enfrentar em toda a sua história (perceba como o uso solene das palavras apenas enfraquece mais a história e a sabota, que tem que ser enriquecida com diálogos expositivos dessa forma).

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