Little Witch Academia

Este anime possui traços que lembram aqueles desenhos feitos à mão da década de 80, mas está sendo lançado nesta década, o que é tão fofinho quanto os traços completamente diferentes mas com a mesma vibe de Kobayashi Dragon's Maid de evocar o melhor de uma época e aproveitar as evoluções tecnológicas de animação.

A história é o clichê épico da menina com um sonho prestes a ser iniciado: se tornar uma bruxa como seu ídolo, uma bruxinha que fez um espetáculo quando ela era pequena. Hoje ela volta ao mesmo vilarejo e observa que seus habitantes perderam o contato com a magia, estão zumbis da tecnologia e dos afazeres cotidianos.

Mas Akko Kagari não desiste e parte para sua descoberta de um mundo ignorado pelos não-bruxos. E se isso lembra um pouco Harry Potter, a criação de um universo de magia pela romancista britânica J. K. Rowling, você está certo. E Little Witch Academy não ignora isso. Ele passa educadamente de lado, não querendo se comparar nem subverter. Ambos apenas compartilham a riqueza potencial da criação quando se abre o portal para uma escola de magia.

Trazendo a novata para este mundo através de uma trilha épica com momentos extasiantes logo no primeiro episódio, o estúdio responsável por obras de peso na animação como Kill La Kill, Space Patrol Luluco e Inferno Cop não faz feio e nos introduz todos os conceitos que serão usados para desenvolver esta história em breves momentos e detalhes enquanto a ação desenfreada e hilária dá continuidade.

É de se admirar que mesmo usando o cacoete de personagem cômica representada em Akko, Luluco e o alívio cômico de Kill La Kill surgem três personagens notadamente únicas em personalidade, embora detentoras da mesma energia de realização. O mundo assiste alheio às intempéries dessas heroínas modernas e nós nos divertimos com tamanha inventividade e desejo ingênuo de que tudo dê certo no final. E o roteiro nunca pega leve com essas personagens. E diferente dos berros animalescos dos artistas militantes pela representatividade, é por isso que elas valem cada traço de sua verdadeiramente empoderada animação.

Interessante notar a coesão dos universos criados pela Trigger. Em Little Witch Academia existe assim como em Luluco e Kill la Kill as threads que conectam a todos nós e a diferentes mundos. As meninas usam uma espécie de portal para chegar na escola de magia formado por diferentes raios com o mesmo formato e tom dos feitiços das bruxas (e da pedra mágica verde que lhes dá toda magia). Em Kill la Kill é desnecessário até dizer, pois é a síntese daquele mundo ordenado através dos poderes que emanam dos tecidos com que as roupas são feitas. E em Luluco existe a viagem interdimensional. O curioso é o quão simples e genial é essa união de conceitos através de diferentes universos de criação, pois nem é preciso verbalizar para entendermos que uma aventura que se passa em um mundo animado com certeza está conectado com nosso mundo, seja pelas diferentes linhas que irão desenhá-lo ou mesmo pelas diferentes visões de mundo que acabam de uma forma ou de outra se conectando pela arte.

A segunda temporada parece ter começado com gestão Netflix: criaturas mágicas vestindo vermelho e de greve, professora moderna de cabelo curto administrando uma crise de energia, e um roteiro relativamente preguiçoso. Porém, no final há uma reviravolta e pode ser que seja apenas impressão.

Wanderley Caloni, 2021-04-25

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