Machete

Mais um filme de violência absurda de Robert Rodriguez. Fotografia amarelada, como em todos os filmes que se passam perto do México. Só que em muitos filmes a violência absurda é usada em tons artísticos, como evocando os quadrinhos (Sin City) e sua realidade já absurda e exagerada e as artes marciais (Kill Bill) e suas lendas.

Além da violência, há cenas absurdas, que deveriam ser engraçadas, como dirigindo o carro virando a machete dentro do corpo do policial disfarçado. Além disso, pistas-recompensas ridículas, como a do intestino ter 20 metros ou do abridor de garrafas. Além de diálogos horríveis, como o discurso horrível e artificial da agente de imigração. E por falar em roteiro, personagens unidimensionais em uma história patética que chega a ser pré-adolescente, mas nem por isso diverte.

Além disso, Rodriguez mantém sua personalidade em seu novo filme, como seu lado machista "nonsense" onde todas as mulheres do filme querem estar e dar para Machete, ou ao criar super-heróis tão unidimensionais e absurdos quanto a freira e a caolha, que faz com que nunca nos importemos com eles.

A situação é tão inverossímil que na luta final entre Seagal e Machete as suas duas musas ficam discutindo se ele irá ganhar ou não, concluindo que sim, pois ele é o Machete (!?). Não contente com tamanha falta de originalidade, colocam o senador justamente na fronteira, sendo morto como se fosse um imigrante.

No final ainda dá indícios (mesmo que cômicos) de ter duas continuações. Tomara que não.

Wanderley Caloni, 2010-10-10

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