Maria My Love

2011-11-01

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Geralmente um filme costuma martelar constantemente um conceito qualquer por um motivo qualquer. No caso desse Maria My Love, projeto independente filmado em um discutível digital (mas “assistível”), o amadorismo no uso do foco aparentemente é o tal conceito, pois pode-se perceber na insistência irritante de nunca manter a lente focada em qualquer que seja o motivo, personagem ou objeto.

Essa “fuga” do foco talvez seja um reflexo de Ana (Judt Marte), a protagonista com problemas em aceitar a morte recente da mãe, que tatua em sua homenagem, em suas costas, os dizeres Maria My Love e sai cambaleando pela vida (e a câmera idem).

Encontrando um rapaz que vira seu namorado e que por isso mesmo tenta entendê-la e ajudá-la. (Algo que ela mesma não havia feito ainda consigo mesma.)

Encantada pelo fato dele ajudar jovens como voluntário em um programa social, tenta trilhar o mesmo caminho para de certa forma compensar a falta de atenção que acredita ter sido culpada para com a mãe no leito de morte, mas acaba sendo rejeitada para o cargo (reflexo de sua própria indisposição para ajudar a si mesma?). Ocasionalmente encontra uma mulher debilitada que precisa de cuidados especiais, mas que insiste em morar sozinha e cuidar de si mesma (surprise, surprise).

Enquanto isso, visita eventualmente sua meia-irmã, enquanto evita ter contato com o pai por causa de traumas da época em que sua mãe era tratada.

É sintomático que não consiga entrar em um hospital (não aceitar ajuda), assim como sua relação com os outros poucos personagens se torna sintomático no decorrer da história. O fato é que a relação com a tal mulher, que possui o mesmo nome de sua mãe, se estreita mais do que com seus próximos, e é justamente essa relação que torna a história mais interessante. Utilizando-se de eventos comuns mas ao mesmo tempo incomuns entre estranhos, o filme ganha ritmo ao usar de uma sutileza inteligente por nunca tornar a simbiose entre as duas tão na cara. No fundo, nos custamos a acreditar que exista algo de errado com Ana justamente por causa disso, e é necessário um evento traumático para que isso ocorra.

No entanto, embora seja justificável e até louvável essa forma de contar uma história que poderia facilmente soar desinteressante, a verdade é que não há saída, pois a direção começa a devanear por questões menores, o que acaba virando uma muleta narrativa até sua conclusão óbvia, um pouco arrastada, mas cujo maior defeito é revelar artificialmente o que vinha sendo construído durante toda a narrativa. Com isso, voltamos à estaca zero, e nos esquecemos a bem da verdade quem era essa tal de Maria…

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