Memórias de Ontem

Este é um rascunho e está sujeito a mudanças.

Memórias de Ontem é um filme excepcional dos Estúdios Ghibli sobre personagens da vida comum. Feito nos anos 90 e lançado internacionalmente em 2015, somos levados pelo passado da criança Taeko através da mente da adulta Taeko, que usa suas férias no trabalho como desejaríamos fazê-lo se fôssemos corajosos a esse ponto, tal como a máxima do filósofo Henry David Thoreau: para viver nossas vidas como em nossos sonhos.

O que torna as memórias do filme em algo agridoce são a interpretação sensorial e racional da Taeko adulta por trás de suas passagens tragicômicas de quando criança, ao finalmente viver o que não teve quando criança nas férias do seu trabalho. Enquanto somos levados pelo embalo psicológico de suas lembranças, Taeko repensa em como todos os nãos que recebeu poderiam significar uma mudança radical em sua vida no presente.

Este é um filme de "e se" maduro e soberbamente desenhado pelos estúdios. A paleta de cores monocromática e quente das lembranças, seus contornos que lembram poesia e fascinação, e sua falta de bordas que nos remete diretamente às nossas próprias percepções de quando nos lembramos de algo vagamente, distante no tempo, além da música de fundo tímida que cresce na proporção com que o passado se torna mais forte. O resultado é arrebatador e emocionante. Arrebatador porque somos levados junto dela através de um passado muito característico, desenhado com paixão, do Japão na década de 60. Emocionante porque a trilha sonora vem no momento certo. Este é um filme com o timing emocional quase perfeito. Suas virtudes estéticas nos permitem enxergar uma história madura se configurando em tornos desses inúmeros "e ses".

Apesar de possuir um roteiro episódico, uma passagem por memória, sua edição fluida não reflete isso, pois além de pular entre presente e passado como partes do mesmo processo. É a magia da animação que não precisa da técnica para funcionar, mas com ela ganha um ar universal mesmo se tratando de uma história local. E seus personagens são tão vivos em seus movimentos e expressões que poderiam ser atores de carne e osso. Seus trejeitos tão bem equilibrados entre o caricato e o característico que dos traços emerge personalidade.

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