Meu Amigo Harvey

Wanderley Caloni, 2014-09-13

Todos têm aquele amigo indesejável ou, o mais provável, aquela qualidade indesejável em um ente querido que queremos esconder para nos tornarmos aceitos pela sociedade. Se não for em um ente querido pelo menos em nós mesmos. A questão é: "Harvey", uma produção de 1950 dirigida por Henry Koster (O Manto Sagrado) e estrelada por James Stewart (dos filmes de Hitchcock) mostra isso de uma maneira genial: cria um coelho gigante como amigo invisível de um gentil senhor que vive com sua família.

A partir dessa proposta simples e direta somos apresentados a Elwood P. Dowd e toda a polidez, generosidade e compreensão de mundo que um ser humano consegue ter quando está enfeitiçado pelo espírito do "não se levar a sério". Encarado por todos como um louco, o trunfo do filme é nunca negar isso, mas fazer repensar o conceito de loucura.

Ele pode ter seus momentos escrachados, como toda comédia, e deixar algumas pontas soltas no processo, mas nunca se esquece de usar todo acontecimento a seu favor para provar o seu ponto: se é loucura ser gentil com todas as pessoas que encontramos no mundo, o quão mesquinho e miseráveis somos ao acreditar que o normal é exatamente o oposto.

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