Minhas Famílias

Minhas Famílias é uma pequeníssima janela que o documentarista Hao Wu abre a respeito de sua vida homossexual e a convivência com os pais e com a famíla em geral, chineses tradicionalistas. O lado ruim dele é que não há conteúdo suficiente para valer a pena um longa-metragem, ficando ele no meio do caminhho com seus 39 minutos, e o lado bom é que ele consegue ser sucinto a respeito e evita a todo custo criar um conflito que não existe. As coisas são como elas são. Essa é a mensagem.

Ele decide com seu namorado/marido/esposo ter dois filhos em simultâneo. Ele faz inseminação artifical em duas barigas-de-aluguel em paralelo e nove meses depois eles são pais de duas crianças. Vão mostrar aos pais. Desde sua saída do armário até a decisão de ter filhos, todas as opiniões são capturadas de seus familiares, mas quem brilha mais é sua mãe. De sangue italiano, ela parece ter uma luta interna não apenas com ele, mas com qualquer um que ameace sua família. Ela é a matriarca no sentido clássico da palavra, e seu marido, apesar de também seguir a tradição, quer muito ter um neto de seu único filho homem. Nós conseguimos entender o drama dos dois e compartilhar de sua frustração, e Hao, como cineasta, mas potencial protagonista (afinal, esta é a vida dele) se coloca fora da equação, resultando em um filme parcial.

Essa parcialidade vem do fato que ninguém mais no mundo ocidental em sã consciência debate se homossexualidade é um problema (apenas os ignorantes e fanáticos religiosos, mas danem-se eles). Logo, é natural que ele tenha todos os espectadores do seu lado. É uma decisão inteligente abster-se de defender seu lado, que já foi defendido (e ganho) pelos movimentos LGBTXYZHJKHFIHDKHKHD+. E é muito bom que essa história tenha saído do papel graças à sua coragem de colocá-la em filme. É mais um relato de como a vida pode ser tão simples quanto ela verdadeiramente é.

Wanderley Caloni, 2019-05-10 00:00:00 +0000

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