Missão Impossível: 3

2019-03-18 · 3 · 577

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

Esse é o meu M:I favorito. Ele como filme de ação nunca se deixa de levar a sério pelas consequências de suas ações. Ele possui uma fotografia sisuda de Dan Mindel, dessas de drama, porque ela fala sobre perdas humanas como se elas fossem reais, e o impacto delas é sentido durante todo o filme. Esse também é a estreia de J. J. Abrams na direção de longas-metragens, e ele está ótimo em conseguir orquestrar três equipes distintas localizadas em três cantos equidistantes do planeta (EUA, China, Itália). E, por fim, esse é um filme onde os efeitos em sua maioria são feitos na vida real e não dentro de computadores. Tom Cruise é um maníaco que dispensa dublês, e sua energia é a única vantagem de ter ele no elenco.

Já como produtor, indispensável. Tom entrega um conteúdo de primeira: uma série de TV reciclada que rediscute filmes de espionagens/ação e com isso recicla também o gênero no Cinema. Teve seus deslizes, como M:I 2, mas em M:I 3 ele tem seu grande momento para brilhar. Seis anos depois do filme anterior é uma homenagem aos filmes de ação e um exemplo a ser seguido no futuro.

Praticamente não há tempo para pensar durante o filme inteiro. Uma cena de ação se engancha na próxima, e na próxima, e na próxima. Os momentos de pausa são para absorvermos tudo que está acontecendo, quais podem ser as implicações, quem é o vilão nessa história e o que fazer para salvar a garota. Simples e eficiente.

A garota no caso é deusa Michelle Monaghan, que faz Julia, noiva de Ethan Hunt, que quer ter uma vida pessoal. Luther (Ving Rhames) constantemente avisa o amigo que essa não é uma ideia nada boa, caso ele ainda não tenha percebido que no primeiro filme seus pais foram usados para controlá-lo a distância. O que será dele quando tiver uma esposa? E o pior: o que será dela?

O vilão básico nesse filme é interpretado por ninguém menos que Philip Seymour Hoffman, e essa não é a única boa novidade no elenco. Simon Pegg chega como o elétrico Benji. Ambos possuem quase que apenas pontas, mas são os que mais nos lembramos. Seymour Hoffman, grande ator de sua geração (e uma perda para o Cinema), é a escolha certa: discreto, mas visceral em cada momento que abre a boca.

Ele é, como falei, o vilão básico, pois esse é o primeiro M:I pós-11/09, o atentado terrorista que colocou os EUA de ponta-cabeça. O mundo naquela época estava mudando, e o Cinema foi junto. Agora tudo gira em torno do terrorismo e principalmente da guerra contra o terror. O governo americano está apodrecendo por dentro e o conceito de bem e mal começa a se desmanchar quando seu país começa a transformar outros Estados destruindo algumas vidas pelo caminho. Para um filme de ação estar engajado nesse novo panorama socio-econômico seria pedir demais, mas o roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci e Abrams entrega justamente isso. E é brilhante em seu discurso de reviravolta.

Editado como uma obra-prima de compilação de ação frenética sem nos perdermos nos detalhes e filmado com uma câmera que está sempre interessada em obter a melhor tomada para cada frame que se passa na tela, “Missão Impossível: 3” é um pequeno mas eficaz exemplo que é possível realizar filmes de ação com cérebro e coração. E esse é meu filme favorito da série em ambos os quesitos.

Mission: Impossible III (United States, Germany, China, Italy, 2006). Dirigido por J.J. Abrams. Escrito por Alex Kurtzman, Roberto Orci, J.J. Abrams, Bruce Geller. Com Tom Cruise, Philip Seymour Hoffman, Ving Rhames, Billy Crudup, Michelle Monaghan, Jonathan Rhys Meyers. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·