Monte Verde 2019

Este é um rascunho e está sujeito a mudanças.

Monte Verde como cidade turística é bem cara, pois fica do lado das cidades do interior de São Paulo para onde boa parte da classe média da capital migrou. O foco turístico dessa região fica nessa cidadezinha encrustada entre os montes que dividem o Sul de Minas com o estado paulista. Todo o resto do gigantesco município de Camanducaia, suas cachoeiras e paisagens mais distantes, segue ignorado pelos que vêm de fora, mas não pelos locais.

Essa foi a visão do taxista que me levou da rodoviária de Camanducaia até a praça onde se pega uma van até a cidadezinha, já que o último ônibus rodoviário havia partido, às 13:30 de uma sexta-feira. A moça do guichê da única companhia de ônibus que faz o trajeto de São Paulo para Camanducaia, a Viação Cambuí, foi incapaz de me recomendar as vans, mas uma pessoa que estava sentada ao lado do guichê me deu essa dica do nada, dessas gentilezas comuns do povo mineiro.

O taxista, Eduardo o nome, também falou sobre inúmeras cachoeiras e paisagens belíssimas pela região mais adentro de Camanducaia, uma das maiores do estado e que é a mais próxima da capital de São Paulo, a respeito de Extrema ser a primeira cidade conectada por rodovias e conhecida como o município limítrofe das fronteiras. Também falou a respeito da Fazenda Esperança, que existe desde o século 19 e é cuidada ainda pela mesma família. Eles fazem o melhor doce de leite mineiro que você irá provar na vida, com apenas 10% de açúcar.

Ele falava como um ex-Paulista, sem sotaque e com uma leve inclinação politizada. A velha questão de que nada muda na região porque são sempre os mesmos no poder. Falava de fato como um Paulista nato, pois todas essas informações foram dadas em uma corrida de no máximo 2km e com um valor de 20 reais, valor auto-explicativo de um dos motivos dele vir morar no interior, já que a capital paulista após os Ubers da vida ficou inóspita para a vida de um taxista que não quer muito estresse.

As vans saem quase de hora em hora e vão lotadas. Todos da região conhecem. Custa 10 reais e demora cerca de uma hora para passear pelas curvas que nos levam para um cantinho de Minas e da Mata Atlântica, hoje gravemente ameaçada por plantações de eucalipto. São aquelas florestas artificiais com um formato quadrado demais para ser natural e com tons de verde que não pertencem à vegetação.

É preciso saber se você vai ficar na parte mais comércio e bairro ou a turística, pois assim que a van chega no portal da cidade ela deixa os turistas e depois segue por baixo até o último bairro da cidadezinha. Eu bobeei, mas acabei conhecendo essa parte. Meu chalé fica na parte turística, subindo do outro lado em direção às trilhas. As partes se conectam apenas no começo e no fim da cidade, e a conexão do final fica a cerca de 1km e meio entre os locais centrais com uma leve subida sentido bairro.

As trilhas ficam a cerca de 6km do centro em uma subida pouco íngreme, mas geralmente são carros que sobem até o estacionamento que dá acesso a elas. Fui andando e em pouquíssimo tempo um casal de mineiros procurando informação se estavam na estrada correta já me ofereceram carona. Recusei, minha ideia era ir andando do chalé até as trilhas e vice-versa. Foi o dia das trilhas, andei por todas as conhecidas, três ao total, e voltei dando a volta.

De resto a cidade tem poucas opções que não seja gastronomia mundial, que não me interessou muito. Acabei comprando queijo no mercado local, além do sensacional doce de leite Esperança, que realmente foi o doce de leite mineiro mais gostoso que provei. A cerveja local, de nome Monte Verde, também dá pro gasto. Há uma outra cervejaria na cidade, Fritz, onde também serverm quitutes.

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