Música gótica sacra e secular

Comecei meus estudos musicais caminhando na ordem cronológica pela história. O primeiro artista que me chamou a atenção foi Guillaume de Machaut, um poeta e compositor francês que para ter uma ideia de sua importância tem a data de sua morte como marcador do final de uma era na história musical da Idade Média.

Este autor mistura música secular e sacra, além de diferentes estilos, como o uso de vozes polifônicas (e apenas isso) para uma peça, e alguns álbuns inspirados ou replicando seu trabalho literal usam instrumentos típicos da época. Há muito material produzido que se pode encontrar nos Spotify da vida.

O que eu mais ouvi até agora é uma peça de pouco menos de uma hora chamada O Espelho de Narciso. São apenas vozes que narram uma história cantada com muita alma. A produção é assinada por Gothic Voices. É um trabalho de 1983 absolutamente magistral. Somos transportados para uma época muito diferente dos dias de hoje, mas mais do que isso, a voz humana aqui é exaltada em um nível que não estamos mais acostumados. Tanto a técnica quanto o local onde foram captados esses sons humanos evocam uma origem divina, quando o divino ainda era a referência para o mundo.

Um trabalho mais musical e eclético, com diferentes estilos combinados, é esse Le Jugement du Roi de Navarre, um trabalho de produção mais recente (2003) e que ainda preciso me contextualizar melhor, mas me parece um texto narrativo.

Isso está mais divertido que um filme.

Wanderley Caloni, 2021-12-21 11:00:49 -0300

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