O Albergue

Wanderley Caloni, 2014-12-15

Este é um thriller que segue a cartilha básica do grupo de jovens descerebrados que entra em uma enrascada ao procurar prazer carnal no albergue de uma cidadezinha do Leste Europeu. O que eles não imaginavam -- nem teriam como, a não ser que você seja muito preconceituoso a respeito dessa região ex-comunista, portanto, esquecida e miserável -- é que boa parte da pequena cidade está envolvida em um esquema que alimenta o prazer sádico de ricaços em torturar pessoas; especialmente americanos (nem preciso dizer de onde vem os nossos amigos).

O resumo da ópera: toda a sequência que envolve o desaparecimento de cada um deles até o nosso heroi sobrevivente lembra um pouco os filmes trash, mas com a diferença de dispor de um alto orçamento (se não me engano o Tarantino assina a produção). É divertido, pois ao mesmo tempo que não damos muita atenção à dor alheia, os personagens mais caricatos são os tais ricaços, que são mostrados como doentes mentais com ares de complexo de inferioridade. Além disso alguns elementos pseudo-fantásticos são hilários, como o spa compartilhado e uma gangue de garotos com seus dez/doze anos de idade.

A conclusão da história é mais problemática, e força muito uma realidade já distorcida. Tentando rapidamente resumir a questão em uma fuga altamente improvável e com toques de heroísmo, o roteiro depois se encarrega de colocar todas as pessoas envolvidas naquele martírio em posições frágeis que as tornam vítimas fáceis, para pura vingança e deleite do espectador. É uma solução catártica, preguiçosa e inútil, já que obviamente nada mudou para as futuras vítimas.

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