O Aprendiz de Feiticeiro

2010-08-13

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

E aqui vamos nós para mais um filme bonitinho, emocionante e formatado nos últimos padrões que a Disney recomenda para que tenhamos mais uma possível franquia seguindo os modelos razoavelmente bem sucedidos dos Piratas do Caribe e Crônicas de Nárnia, e também a futura promessa do Príncipe da Pérsia.

Aqui se trata de um aprendiz de feiticeiro que procura pelo primeiro descendente de Merlin que irá ter poderes para derrotar a poderosa bruxa Morgana, atualmente presa em uma espécie de boneca russa, mas que assim que libertada, e não for impedida, poderá destruir o mundo como o conhecemos.

Soou piegas? Com certeza. Além disso, temos um romancezinho de infância do protagonista que é o aprendiz de feiticeiro do título. Fora isso, o filme diverte na dose certa, com um bom ritmo de ação temperado com efeitos mágicos que enriquecem a narrativa — aliás, como deveria ser.

Até o início da “aventura”, enquanto Dave tenta desesperadamente alcançar o papel em que está escrito se a menina citada quer ser sua amiga ou namorada (eu disse que era piegas), uma sequência simples e eficiente, tudo parece fluir para mais uma aventura Disney.

E se por um lado as expressões de Dave quando criança (Jake Cherry) são continuadas por Jay Baruchel (o Dave crescido), infelizmente suas atitudes seguem uma curva muito irregular durante toda a projeção, onde horas ele está muito inquieto par se encontrar com seu amor Becky (Teresa Palmer) e em outros quer desesperadamente ser um feiticeiro. Independente de como for, ele é o mais irregular dos personagens, acompanhado pelos eficientes Nicolas Cage no papel de Balthazar Blake, o aprendiz de Merlin que deseja encontrar o garoto, e Alfred Molina, esse mais interessante no seu papel de Maxim Horvath, o bruxo que deseja libertar Morgana.

Mais interessante por algumas cenas como a que ele sai do vaso onde estava preso com Drake e pergunta ao dono da casa, em tom cansativo: “Sou o primeiro a sair?". Em outra cena, preso a um espelho no banheiro do colégio, pergunta a uma pessoa que está olhando no espelho se ela poderia acordar seu capataz, Drake Stone, em um tom igualmente cansativo.

Uma brincadeira/referência interessante a Nikola Tesla, que anda cada vez mais sendo citado. Aqui, Dave possui suas próprias bobinas magnetizadas que emitem raios em alta frequência, e por isso geram música.

É impressionante como a única cena de morte, a do motorista que é atingido por Horvath enquanto este procura o vaso de Morgana, é escondido pelo vidro quebrado, provando igual competência que os filmes Transformer em esconder que um massacre está ocorrendo (nesse caso, foi apenas um “mero” assassinato, o que aumentaria considerável e desnecessariamente o nível de censura do filme como um todo).

E se estamos assistindo a um filme da Disney, pelo menos é um alívio não termos que ver apenas a referência tosca inicial do despertados do Buzz Lighyear, mas uma tentativa de reconstrução admirável da cena das vassouras em Fantasia, com direito à mesma trilha sonora. Foi o momento mais mágico do filme, pela nostalgia e pelo esforço.

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