O Atleta

2010-11-04

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

O filme começa com a luz do sol, tão presente durante o longa, se transformando na luz do projetor de cinema. Esse projetor fará parte do final, quando voltamos para o mesmo close no início. As tomadas iniciais dele chegando ao interior da Etiópia apresentam uma largura de campo estrondosa, exatamente para dar a impressão de grandeza e imensidão que não acaba mais nas planícies do país de origem, e da região, do corredor. Aliás, esse detalhe pode ser visto no belíssimo zoom out dele correndo do lado de um desfiladeiro. Aos poucos esse desfiladeiro vai sumindo e dando lugar à planície.

Existem vários paralelos no filme. Um dos primeiros é com um ônibus que ele ultrapassa na estrada (de carro, presente) e um ônibus de turistas que fica ao lado dos corredores da maratona (correndo, passado).

Também são criados pequenos “arcos” para ilustrar partes da história. O mais bonito é quando na conversa com o padre para quem ele dá carona ele conta sobre sua infância, e o menino que ele vê do carro executa as mesmas ações que estão sendo narradas por ele. Ao final da história, a família do menino está perto de um pequeno morro, para onde dá a estrada, que é onde o carro do corredor acaba de passar.

Não há semelhança entre o ator e o corredor de verdade, e isso infelizmente pode ser visto em alguns cortes que juntam ambas as faces. Talvez o diretor tenha pensado que a interpretação dele ficou tão boa que resolveu ressaltar essa diferença facial em detrimento ao comportamento de ambos, tão em sintonia.

Mais interessante é que, ao final da corrida na neve, temos mais uma transição, dessa vez para a sala de exibição onde o filme está passando, com todos aplaudindo o corredor ao final. É de lá que vem a luz do projetor do início do filme, e o arco se completa. Um filme de superação.

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