O Bebê de Bridge Jones

Wanderley Caloni, 2019-06-24.

Fui convidado a assistir um filme simples, dos que se desliga o cérebro. Tão simples que é a segunda continuação de uma história e você não precisa saber muita coisa ou nada de como anda esta novela em que Renée Zellweger fala com sotaque britânico admirável. Detalhe: ela é americana.

Aliás, uma das piadas que funcionam tem a ver com nacionalidade: sua mãe fica horrorizada em saber que a filha pode estar grávida de um americano.

Mas este filme deveria ser mesmo um Orgulho e Preconceito dos tempos modernos. Temos Mr. Darcy na pele de Colin Firth com a erudição no nível exato em que você para de ser apenas intelectual e começa a ter problemas em se relacionar com as pessoas em volta. Ele nunca sorri, apenas de maneira doce, e sua postura é de um perfeito cavalheiro.

Infelizmente não temos a contraparte feminina, pois a personagem de Zellweger é apenas mais uma dessas que protagoniza comédias românticas. Todo o lado romântico se perdeu entre um filme e outro. Agora ela é Bridge Jones e não precisa provar nada para o mundo. Apenas realizar seu sonho de ter um bebê.

E o filme basicamente é sobre isso, com piadas e cenas criadas para isso. Hugh Grant ficou de fora, o que é uma pena, mas um outro bonitão chega no lugar, Patrick Dempsey, com mais discrição do que Grant e seu jeito canastrão inconfundível.

Esta é a terceira parte de uma saga que parece ter chegado ao fim. Seu único momento britânico é quando dois machos alfa esmagam uma grávida em uma porta rotatória, podendo o filho ser de um deles. Todo o resto está americanizado e livre de momentos embaraçosos. Ou seja, um tédio que faz rir de vez em quando.

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