O Buraco

2012-04-12

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

O Buraco é muito mais sobre nossa posição como seres humanos e como nos relacionamos com ambientes e situações que quase sempre nos diz mais do que ela mesma. Após a descoberta de uma epidemia de um vírus que levava à loucura e à morte em uma região de Taiwan o governo ordena a retirada das pessoas e deixa o local em estado de quarentena. No entanto, vários moradores fazem questão ainda de sobreviver no bairro onde antes viviam normalmente, só que com o passar do tempo o estado mental e seu ânimo estavam muito diferentes do usual. O aparecimento de um vazamento no chão de um apartamento onde mora um rapaz, e consequentemente no teto do apartamento de baixo, onde vive uma moça em torno de goteiras e vazamentos que representam não só o estado de calamidade do local como seu próprio estado de espírito.

Nesse ambiente ostensivo e isolado, a chuva nunca passa, e as goteiras apenas aumentam a desilusão de que um dia tudo volte ao normal. A única esperança da moça que vive agora com um buraco no teto é enfeitar sua realidade em torno de números musicais que imagina estar participando, e se não fosse isso o filme seria um mistério ainda maior. Aos poucos somos informados dos detalhes da doença que atingiu a população. Mas o diretor Ming-liang Tsai está menos preocupado com isso do que com o psique dos seus personagens, que não tem nome, e que por isso representam os sobreviventes desse mundo.

A direção de arte é opressiva. A fotografia parece ampliar a imundice de um clima eternamente úmido. Não é preciso criar um mundo inóspito e desconhecido para entendermos a angústia que aquelas pessoas vivem dia a dia. Talvez o próprio fato de estarmos em terreno conhecido torne tudo mais cruel por seu realismo. Não são os efeitos visuais que convencem sobre o fardo dessa vida, mas a imaginação. E essa não tem limites.

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