O Caminho das Nuvens

Wanderley Caloni, 2020-04-28

Você sabe sobre o que é essa história? Se souber me avise. Avise o diretor, também. No começo se diz que é baseado em fatos reais. Ele conta a história de uma família que viaja de bicicleta pelo país inteiro porque o marido quer um emprego de mil reais. A direção é de um vídeo-clipe que marca a virada do século. É um road movie com pontos turísticos religiosos que se escondem porque a mensagem é muito vaga sobre o que isso significa.

Cláudia Abreu rouba o filme toda vez que a câmera enfoca seu rosto, e Wagner Moura apagado ofusca participação do ator que faz filho mais velho, que acaba se tornando parte da história, que fala sobre amadurecimento, puberdade, se tornar homem. O fato é que o filme não tem ideia do foco e acaba querendo falar de muitas coisas. Agrada sem causar impacto. Este filme é uma homenagem ao cantor Roberto Carlos e possui muitas canções do rei, e por isso não se pode esperar nada provocativo.

A constante é a religião e a puberdade do garoto, que precisa de uma menina urgente, mas que apesar de chamar atenção não consegue se aproximar de nenhuma. Está segue buscando a aprovação do pai, e se esforça por merecer respeito tentando fumar, único sinal da virilidade de quem o pôs na vida.

É curioso como o primogênito ser inapto para a vida social faz lembrar Capitão Fantástico, onde o pai torna seus filhos aptos para viver como ermitões e incapazes de abraçar o caos das relações humanas. A certeza dos pais desses dois filmes é a causa do fracasso de seus filhos na vida. Um defende a convicção católica; o outro, a convicção materialista dialética. Cada um com sua religião sem saber o que fazer com cada uma delas, exceto evitar dar respostas ou regras à sua prole. O fracasso acaba sendo o da vida moderna.

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