O Casamento de Louise

Wanderley Caloni, 2021-03-13

Uma comédia brasileira pós-retomada e virada do milênio. Estreia da diretora Betse de Paula, é uma produção barata que passou no crivo dos incentivos fiscais da época. Seu elenco enxuto e argumentação com cenários facilmente adaptáveis para locações práticas (como uma casa) dão lugar para a comédia de diálogo e situações que se cruzam.

A história tenta cruzar a história de vida de Louise e sua empregada Luisa, que nasceram no mesmo ano e cidade e compartilham a história de Brasília. Ambas gostariam que o horóscopo do dia para o signo que compartilham fosse verdade e que encontrassem seu príncipe encantado. Isso se materializa em um maestro sueco, mais um estereótipo para se juntar nessa feijoada de clichês. Logo você percebe as viradas do roteiro e apenas aguarda seu desfecho e algumas piadas.

As atuações são melhores do que o filme e seguram bem uma direção pragmática, que vai ensaiando, filmando e editando em pequenos passos. O conteúdo digitalizado na hora permite que Betse vá assistindo seu filme se completando e enxergue rapidamente o que precisa acrescentar ou tirar. É uma cozinha prática se sobrepondo à complexa teoria das produções hollywoodianas.

Estamos em uma época com péssima edição se som na indústria nacional, mesmo em locações sob total controle, mas essa não é tão ruim, exceto pelos números musicais. Pena que há muitos. Mais que o desejado

As crianças são insuportáveis de propósito? Parece que escolheram os filhos de alguém da equipe para dizer falar engraçadinhas. É o alívio cômico barato e conveniente.

Os caminhos traçados no roteiro mudam de rumo ao bel prazer de uma comédia romântica que tem o imperativo que tudo no final dê certo e que todos formem seus casalzinhos.

Os créditos finais são igualmente engraçados. Mostram até as empresas que forneceram transporte à equipe. É o jabá barato e póstumo. Fruto das vacas magras no cinema nacional.

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