O Castelo Animado

2020-04-20 · 3 · 485

Este ainda é um rascunho publicado prematuramente e está sujeito a mudanças substanciais.

É daquelas animações dos estúdios Ghibli que tira seu fôlego logo no começo. Magia e detalhes dos ambientes e paisagens que se misturam em momentos que se tornam mais realistas do que se estivéssemos assistindo a um filme live action, com atores de carne e osso, porque a carne e o osso dos humanos não é evocativo o suficiente para os traços desses desenhistas.

Por exemplo, não tem como fazer dois seres humanos de carne e osso caminharem no vazio do ar e parece que eles estão de fato andando sobre o ar. Mas os estúdios de Hayao Miyazaki consegue, com delicadeza, sinceridade, empenho e um certo charme. Se Superman: O Filme por se gabar de colocar nos letreiros de marketing “você vai acreditar que um homem pode voar”, 26 anos depois podemos dizer, finalmente, que um espectador vai acreditar que os japoneses conseguem andar pelo ar.

Os detalhes da sala de visitas do tal “castelo” é de nos deixar por horas a observar. Se a casa da bruxa em A Viagem de Chihiro já era um capítulo à parte por contar com um design de arte completamente diferente do visto na casa de banhos, aqui o nome Howl (gemido de dor) faz jus a essas referências de magia antiga, demônios e pactos nas mãos de um feiticeiro dominado por um passado tenebroso, cheio de drama quando perde sua impecável beleza. Comum em contos de fadas, como Branca de Neve e os Sete Anões, nunca havíamos visto essa característica em um bruxo do sexo masculino: ser um escravo da vaidade.

A menina, Sophie, envelhece de uma vez, mas a beleza da animação vai nos mostrando aos poucos suas feições mais próximas. Às vezes ela está menos velha. Suas atitudes a aproximam de quem ela era. É sua postura que a transforma, e isso é alquimia pura traduzida em traços de um desenho. É sutil e poderoso como mágica de verdade.

A equipe de animação dá uma aula de sequências de ação grandiosas. Uma guerra está ocorrendo e nós sentimos o seu peso pela escala e ritmo com que bombas são lançadas de veículos voadores em um mundo onde magia é comum e todos os reinos alistam seus melhores bruxos. Mas ao mesmo tempo esse exagero no final não se sente. Há uma perda desse peso porque o príncipe do castelo não parece estar morrendo. Nós não entendemos muito bem o desespero de Sophie, que se apaixona sem motivos visíveis pelo seu mago estiloso.

Muitos elementos fantásticos como em Chihiro não são explicados, e isso não é um problema até o momento em que, assim como Chihiro, o filme sente que deve haver uma conclusão satisfatória para os eventos. E é quando o filme passa a ser sobre os eventos, e não as pessoas, que ele nos perde. A ocidentalização deste filme faz perder sua força na mesma proporção em que aumenta suas vendas pelo mundo.

Howl's Moving Castle (Japan, 2004). Dirigido por Hayao Miyazaki. Escrito por Hayao Miyazaki, Diana Wynne Jones. Com Chieko Baishô, Takuya Kimura, Akihiro Miwa, Tatsuya Gashûin, Ryûnosuke Kamiki, Mitsunori Isaki. · IMDB · Letterboxd · More Details · cinema · draft · movies · Twitter ·